UM POUCO DE NOSSA LOJA

Novo espaço Rodociclo para 2014!

sexta-feira, 3 de abril de 2015

LONGA DURAÇÃO: VICINI VELA/COMPONENTES SHIMANO ULTEGRA 6600



Considerado um dos melhores grupos de ciclismo de estrada, o Shimano Ultegra integra algumas das melhores tecnologias da marca nipônica. Derivado do seu irmão Dura Ace, o Ultegra agrega leveza, precisão, confiabilidade e durabilidade por um preço bem abaixo do top de linha, indicado para competição.



Poucas gramas mais pesado que o Dura Ace, a atual serie (6800) vem mais leve que as anteriores, com 11 velocidades, manetes em fibra de carbono, cabeamento interno (já presente na série 6700 e no Shimano 105) e uma elevada gama de combinações de relações, com pedivela redesenhado a exemplo do Dura Ace, alem do ótimo acabamento, que o torna muito belo e atraente aos olhos. 

Fabricado através de series, cada uma incorporou ao longo do tempo avanços tecnológicos e design diferenciado, acompanhando a evolução do ciclismo. O  número de marchas aumentou e com a introdução de pedivela compacto, (50 x 34 dentes) e o número de combinações também ficou maior. A partir da série 6600, o Ultegra recebeu 10 velocidades, padrão ainda considerado moderno, apesar da introdução das 11 velocidades no ciclismo de estrada. Mas como nem tudo é conceito, escolhemos justamente essa serie, a 6600, para uma exposição prática, que será o tema desta postagem.



Por já estar há algum tempo no mercado e por representar um elo de ligação entre as séries mais antigas e atuais, tivemos tempo de testar a durabilidade dos componentes e o seu comportamento em diversas situações. Após cerca de 5 anos de uso e 15 mil km rodando, sendo que mais de 10 mil nos últimos 2 anos, podemos falar muito bem do Ultegra em todos os aspectos. Nas mãos do primeiro dono o grupo andou meros 600 km. Com seu segundo dono cerca de 3.500 km, ao longo de dois anos. Agora, montado sobre um quadro Vicini Vela, está com mais de 12 mil km.




Alguns detalhes merecem ser observados. A corrente e cassete originais foram substituídos por um conjunto PC/PG 1030 da Sram com configuração 11 x 26 dentes, muito funcional em subidas e com ótima velocidade final, embora apresente "buracos" pela ausência da engrenagem de 16 dentes. Mais leve que as pecas originais da época, com preço equivalente, foram a melhor opção para redução de peso sem afetar o conjunto. E podemos afirmar que funcionou muito bem e de forma muito precisa. A corrente foi trocada com 4 mil km por uma KMC X10, a mais básica, que já está na segunda peça, ou seja, usamos 3 correntes com o mesmo conjunto de engrenagens e cassete. Independente disso, a durabilidade do conjunto de cassete e corrente do grupo Ultegra pode e mesmo deve ser considerada igual ou até superior, dependendo é claro, da manutenção que for realizada. 

A atual corrente ainda roda seus 2 mil km e deve chegar a 17 mil km, exigindo a troca completa da relação. As engrenagens do pedivela apresentam pouco desgaste e devem chegar a 20 mil km ou mais sem problemas. O grupo todo recentemente recebeu manutenção completa. O movimento central original foi lubrificado com graxa da linha Shimano Dura Ace e poderia rodar mais antes da manutenção. A troca periódica de cabos e conduítes (cerca de 5 mil km), garante que o grupo funcione perfeitamente.



As alavancas apresentam perfeito funcionamento, sem folgas, e com a troca de marchas perfeita. Apenas o acabamento dos manetes começa a apresentar sinais de oxidação, tradicionais nestas linhas de peças cromadas. As séries mais recentes do grupo, com manetes em fibra de carbono deve resolver este problema. As trocas são rápidas e precisas, considerando que quanto mais marchas temos, mais fina será a corrente, que resultará em um sistema mais preciso, com menor espaçamento entre as engrenagens e toques consequentemente mais curtos. Com cabos em condições e conduítes de boa qualidade, as trocas são macias. A ergonomia é muito boa e montadas sobre um guidão com medida alcance correto, oferecem postura confortável na parte superior para apoiar as mãos e acesso perfeito na posição inferior do guidão ou em situações de sprint, com trocas rápidas. O guidão usado é um Deda RHM02, ergonômico, com fita de guidão Kuota, garantindo conforto em qualquer posição. Nas linhas posteriores, a ergonomia das alavancas Ultegra está melhor, encaixando perfeitamente nas mãos e transmitindo sensação de segurança e robustez, com peso ainda menor.

Os freios, mesmos sendo da linha 105 (5600) são potentes. Com os aros limpos e sapatas dentro do desgaste adequado, oferecem frenagem ágil e segura. Se pressionados no limite, respondem a contento, parando a bike com segurança e resposta rápida. Isto porque a ergonomia dos manetes forma um conjunto com o desenho dos freios, mostrando o esmero no funcionamento do conjunto. As trocas de refil periódicas garantem o perfeito funcionamento dos freios sem susto, e por usarem esse sistema, tornam a manutenção fácil e acessível, dispensando remover a sapata de freio e a posterior regulagem da posição. Como a reposição genuína da sapata Shimano nem sempre é fácil, usamos duas marcas: GTS e Baradine. Esta última mostrou-se melhor, pois mesmo sendo menos durável, apresenta um composto mais macio que oferece uma frenagem melhor.



Os câmbios estão em perfeito estado de funcionamento. Em nenhuma situação sofreram quedas ou impactos, de forma que apresentam-se em ótimo estado de conservação e sem folgas ou falta de tensão nas molas. Conforme o desgaste da relação, são necessários ajustes finos para compensar algum pequeno ruído, mas isso ocorre a cada 2 mil km, aproximadamente. O câmbio dianteiro já usa o sistema "braze on", que dispensa abraçadeira, já que os quadros modernos já trazem o suporte integrado ao quadro. No caso do Vicini, foi adotada uma braçadeira para a sua instalação.



O pedivela integrado (Hollowtech II) com engrenagens 52 x 39 dentes é robusto, leve e durável. O central é original e não apresenta folgas ou ruídos, oferecendo um giro suave e silencioso. A transmissão de potência é ótima, sem as torções que os sistemas antigos apresentavam, pois os rolamentos maiores, posicionados de forma mais afastada, na parte externa do quadro, aliados ao eixo de maior diâmetro, garantem a ótima relação de peso x rigidez. Embora o mercado ofereça os novos sistemas, como o  Pressfit, BB30, este sistema ainda mostra-se moderno e funcional, com manutenção muito fácil, que permite a extração do pedivela e lubrificação dos rolamentos com poucas ferramentas e de forma muito rápida. As engrenagens do pedivela são duráveis e o desgaste delas, mesmo após alta quilometragem, é baixo, demonstrando que podem rodar tranquilamente várias centenas de quilômetros.




O segredo da durabilidade e funcionamento está na manutenção e troca correta da corrente. Esta é a peça que mais roda e exige constante lubrificação para evitar o desgaste e oferecer trocas perfeitas. Foi usado sempre lubrificante da linha Finish Line, (tanto seco como a linha Cross Country) ou Muc Off (linha Dry Lube). A limpeza do conjunto nem sempre foi feita a contento, pois a bike também é usada em algumas situações cotidianas, como vir para o trabalho e treinos noturnos, acabando exposta a situações de intempérie. A adoção de "missing link" (emenda fácil de corrente) beneficia a manutenção, permitindo a remoção fácil da corrente para limpeza. Questionada por muitos que praticam MTB e alegam que pode abrir em situações de trepidação, na speed, não apresentou problemas, pois a tensão da corrente é maior em função do cage curto e da estabilidade do pavimento.

Já ouvimos relatos que as correntes KMC não funcionam bem e não duram. As duas testadas comportaram-se muito bem e são usadas por muitos fabricantes, como Specialized, que as usam em mix de componentes com marcas como Shimano e Sram. Ainda assim, dentro do conceito de "conjunto de componentes", acreditamos que a melhor opção para o perfeito funcionamento de qualquer grupo seja a utilização dos componentes originais recomendados pelo fabricante.

Não obstante, um conjunto de cassete e corrente Tiagra (série 4600) deve funcionar bem no seu Ultegra de 10 velocidades, mas certamente o peso, a durabilidade e a precisão não serão os mesmos. Estes três pontos justificam a diferença que você encontra entre os quatro principais grupos de estrada da marca, que teoricamente, devem cumprir a mesma função.



O cassete Sram, apesar de não ser da linha Shimano, mostrou ótimo comportamento. Criou-se uma cultura que as peças da marca seriam menos duráveis, mas isso acontece com muitos componentes, conforme vão se aproximando das linhas de competição ou são desenvolvidos com esta finalidade. O uso de menos materiais ou materiais mais nobres, como o alumínio e o titânio faz com que sejam menos duráveis que o aço, porém mais leves. No caso desta peça, a sua leveza se dá em função do desenho das engrenagens, que são vazadas e permitem que o cassete seja desmontado a partir da terceira engrenagem. O desgaste se apresenta de maneira uniforme e em nenhum momento prejudicou o funcionamento do conjunto, mesmo após a troca da corrente. Destaque para o desenho diferenciado de algumas engrenagens, que após montadas, dão a impressão que "falta um dente" em algum ponto. Atualmente, os cassetes da linha Ultegra mostram-se também muito belos, leves e resistentes, além de precisos, mesmo em situações de pressão que exigem trocas rápidas.



As rodas estão usando cubos da linha Choosen, com rolamentos e 32 furos. Extremamente leves, estes, também estão passando por um teste de longa duração. Estão com mais de 20 mil km, pois rodaram em outras duas bicicletas. Os rolamentos e eixos são os originais. Os rolamentos da roda dianteira apresentaram ruídos, mas receberam lubrificação com graxa Finish Line branca e voltaram a rodar silenciosamente. A manutenção do cubo traseiro é feita a cada 30 dias, com remoção da graxa, limpeza e nova lubrificação. São ágeis e respondem bem em todas as situações, contribuindo para uma melhor manutenção da velocidade e retomadas mais ágeis.

Os cubos da linha Ultegra, escassos no mercado, não possuem rolamentos. A marca Shimano não aprova o uso de rolamentos em seus cubos, preferindo as esferas. O motivo é que o rolamento, quando usado em rodas de bicicletas, fica sujeito a torções laterais, que prejudicam a durabilidade do mesmo. Ainda assim, os cubos Ultegra e Dura Ace apresentam rodagem suave, são leves e muito robustos. Atualmente, eles evoluíram para as rodas montadas da marca, que passam a integrar os grupos, assim entendidos como "sistemas de componentes".



Como um todo. a bicicleta mostra-se leve e funcional. Montada com peças escolhidas uma a uma, mostra uma geometria adequada para um piloto de 1,65 metros de altura. O quadro, com geometria slooping e traseira/garfo em fibra de carbono tem se comportado bem ao longo dos 10 mil km. O jogo de direção é Neco com Rolamentos. Não possui folgas ou a popular "casa" e foi lubrificado duas vezes no período. Os aros são os V-Zan Spin. Fabricados pela marca nacional, são os mais indicados para treinos, pelo bom custo benefício e rigidez. Um pouco pesados, comportam-se bem na estrada devido ao perfil alto, que contribui com a aerodinâmica. Raios em inox completam o conjunto, que chega aos 12 mil km com desgaste baixo, necessitando apenas um reaperto após a montagem. Os pneus são os CST, (GTK) que já foram alvo de postagem anterior.

A partir do exposto, acreditamos que esta avaliação pode ser útil aos nossos leitores. Não foi escrita para defender esta ou aquela marca e, de forma fidedigna, representa a cultura e o comportamento de muitos ciclistas ao montarem e customizarem suas bicicletas. Não se trata de uma bike top de linha, embora muito funcional, mas através dela, conseguimos expor uma impressão prática do uso de alguns componentes que hoje são muito usados mundialmente e que, ano após ano, evoluem e são aprimorados, sempre buscando a excelência. Como mencionado, cada fabricante possui seu mix de componentes, que formam cada grupo ou conjunto de peças. Recomendamos sempre seu uso de acordo com a especificação do fabricante, embora algumas combinações sejam possíveis, como foi o caso do cassete e corrente.



Sempre que possível, estaremos trazendo para você novas experiências e avaliações práticas. Como sempre, desejamos um bom final de semana e muitos e bons pedais aos nossos leitores.

Equipe Rodociclo.


sábado, 14 de fevereiro de 2015

GIRO PELA SERRA

As imagens abaixo são do giro pela serra gaucha realizado no último final de semana saindo de Porto Alegre, percorrendo a Rota Romantica, visitando as cidades de Morro Reuter, Picada Cafe, Nova Petrópolis, Gramado, Canela, São Francisco de Paula e Taquara. 

Foram cerca de 280 km que foram mapeados pelo Strava com distâncias, velocidade e altimetria. Nestes dois dias, teve de tudo. Muito sol, calor, subidas, muitas subidas, vento, chuva, frio, cansaco, muita adrenalina e diversão. 

Aproveitando o período de férias para pôr o condicionamento em dia, podemos desfrutar de momentos únicos em contato com a natureza praticando nosso esporte favorito, só ou na companhia de amigos.

Com a proximidade do feriado de Carnaval, esta é mais uma entre as várias dicas de roteiro. Há quem prefira litoral, sul do estado, Santa Catarina e mesmo outros roteiros no asfalto ou na trilha. Aproveite e curta seu pedal, não importa qual o seu destino. Curta cada momentos. 

Seguem abaixo os links dos dois dias de pedal e muitas imagens que gostaríamos de partilhar com nossos leitores.

Forte abraço e bons pedais!

https://www.strava.com/activities/252355711

https://www.strava.com/activities/252709292





















sábado, 31 de janeiro de 2015

TOUR DE SAN LUIS 2015: DANIEL DÍAZ É CAMPEÃO!



O argentino Daniel Díaz, que atualmente compete pela equipe brasileira Funvic-Soul Cycles, de São José dos Campos, conquistou o título da 9ª Edição do  Tour de San Luis de Ciclismo, cuja final ocorreu no último domingo. A prova, que teve 900 km divididos em sete etapas, contou com a presença de vários atletas de renome, como Mark Cavendish, um dos maiores sprinters da atualidade, Nairo Quintana, atual campeão do Giro D'Itália e Michal Kwiatkowski, atual campeão mundial, entre outros grandes nomes do ciclismo mundial. Outro grande destaque foi a Seleção da Colômbia, que mostrou grande força e terminou a competição como líder entre as equipes participantes. 



No primeiro dia, quem roubou a cena foi o colombiano Fernando Gaviria, de apenas 20 anos, que bateu ninguém menos que Mark Cavendish no sprint. Esta cena se repetiria mais uma vez, na terceira etapa, apesar da ótima formação da equipe Etixx – Quick Step, que para 2015, promete ser uma das mais fortes, com todo o seu trem formado para favorecer Mark Cavendish, tendo ainda a presença de Kwiatkowski, um dos grandes destaques da atualidade. Nesta etapa, os brasileiros começaram a mostrar sua força, com Kleber Ramos, da Funvic conquistando o prêmio de montanha da etapa e assumindo a liderança entre os escaladores. 

A segunda etapa foi dominada pela equipe de São José dos Campos, sendo que na chegada em montanha a vantagem foi de Daniel Díaz, da Funvic, que abriu vantagem sobre o colombiano Rodolfo Terres nos últimos 800 metros. Fechando o pódio, Kleber Ramos ficou em terceiro, após conseguir vantagem sobre os demais escaladores, entre eles Nairo Quintana, que acabou a etapa em sétimo.



O terceiro dia da competição foi, mais uma vez marcado pelo triunfo de Gaviria sobre Cavendish, antecedendo a quarta etapa, que seria muito dura. Esta foi palco de um impressionante duelo entre os atletas Nairo Quinta, Rodolfo Torres e os dois atletas da Funvic Alex Diniz e Daniel Díaz, sendo que este último, defendendo a camisa de líder, atacou e abriu 52 segundos de vantagem sobre os demais. O segundo colocado foi seu companheiro de equipe Alex Diniz, seguido de Terres e Quintana. 

O quinto dia de competição foi um desfio à parte para a liderança de Díaz. Um curto contra-relógio individual de 17,4 km, que foi vencido por Adriano Malori, da Movistar, seguido de Michal Kwiatkowski e Hugo Houle, da AG2R. Dani Díaz fez o décimo melhor tempo, sendo que seu desafio era ficar à frente de Rodolfo Terres. Mesmo não estando entre os primeiros colocados, o líder conseguiu não só manter, mas ampliar a vantagem em 9 segundos, terminando o dia com 1:09 de vantagem sobre o segundo colocado.



A séxta etapa, considerada a etapa rainha da prova, apesar de curta, com apenas 117,5 km, foi comandada pela equipe brasileira Funvic, que colocou o atleta Kleber Ramos no lugar mais alto do pódio. Apesar da tentativa de fuga no começo, a definição da prova se deu nos quilômetros finais, com Kleber Ramos, Daniel Díaz, Nairo Quinta e Rodolfo Torres brigando pela vitória. Faltando cerca de 700 metros, Terres atacou, seguido pelo brasileiro, que na chegada levou a melhor. Daniel Díaz foi o terceiro, terminando o dia ainda como líder.


No último dia de competição, a vitória do dia ficou nas mãos de Mark Cavendish, que finalmente fez valer sua estrela, enquanto Daniel Díaz comemorava o tão esperado bicampeonato da prova. No pódio da competição, Dani Díaz, Rodolfo Torres e Nairo Quintana, este último, campeão de 2014, comemoravam seus resultados. Na montanha, Rodolfo Torres foi o campeão com 35 pontos e Juan Arango o campeão de sprint por pontos. Rodrigo Contreras foi o campeão sub-23. Por equipes, a campeã foi a Seleção Colombiana, seguida da Movistar e Team Katusha.



Parabéns à Equipe Funvic, que em parceria com a Soul Cycles, levou seus atletas ao ponto mais alto do pódio. Para 2015, com uma linha totalmente reformulada, que inclui bicicletas de alta performance, a Soul promete firmar-se como uma das marcas mais fortes no nosso mercado. Conheça mais da linha Soul vicitando o site: http://soulcycles.com.br/



Parabéns aos site Portal R3 pela cobertura da competição e pelas excelentes fotos.

Bom final de semana e bons pedais!

Equipe Rodociclo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

SPEED CONFORTÁVEL? MITO OU REALIDADE



Nossa última postagem foi sobre a temporada de 2015 das provas de ciclismo aqui no Rio Grande do Sul. Para muitos, este assunto pode parecer um pouco fora da realidade, já que a maioria dos ciclistas que procura na bicicleta uma opção para atividade esportiva e lazer não tem o foco em competições e mesmo olha este mundo de uma forma um tanto distante. Para quem começa no esporte buscando o conforto e a versatilidade de uma MTB, a speed passa a imagem de desconforto e limitação, uma bike que é usada apenas por "ciclistas profissionais" que possuem alta performance. Mas não é bem assim. Ágeis, elas são as bikes ideais para quem quer ir mais longe com muito menos esforço e nem sempre precisam andar nos pavimentos mais perfeitos.



E mesmo que seu objetivo seja apenas praticar um esporte, a evolução dentro da sua prática é um caminho natural, que você desvendará à medida que ganha condicionamento e experiência. E mesmo que a sua intenção não seja ser um atleta de ponta, porque não dar uma apimentada no seu pedal, ir mais longe e até mesmo brincar em competições nas categorias amadoras, andando de speed? E ela não precisa ser dura e desconfortável, nem ter aquela posição "racing" que vemos os atletas do Tour de France usando. Basta você saber onde mexer para deixar ela bem ao seu gosto.



Aqui já tivemos inúmeros casos de ciclistas que começaram andando de bike a passeio e hoje participam de competições regionais de ciclismo e provas de longa distância, como Audax, onde se pedala a partir de 200 km em cada etapa, onde trocaram as suas MTB por speed, ou melhor, não trocaram, optaram pela speed como sua segunda bicicleta, deixando a MTB para pedais fora de estrada, uso urbano e mesmo casual a lazer, fazendo da estradeira a melhor companhia em trajetos mais longos.



Se você começou no esporte e sente que quer ir mais longe, seguem algumas dicas que, embora não dispensem a orientação de um profissional qualificado, como mencionamos em nossa matéria sobre Bike Fit, podem ajudá-lo a entrar no mundo das speed's sem sofrimento e sem gastos exorbitantes.



O primeiro passo é definir a sua bicicleta e a proposta a que ela se destina. Saber o tamanho certo do quadro e conhecer um pouco sobre geometria, materiais, grupos de componentes e suas variações é recomendável, assim como conhecer as principais marcas e os produtos que oferecem, pois algumas bikes já saem de fábrica prontas, sendo que produtos originais têm uma tendência a serem mais funcionais por serem desenvolvidos pensando em um conjunto de fatores e não em uma situação específica. Talvez você ainda tenha que ajustar algum detalhe, mas este será mais simples



Um segmento que vem crescendo cada vez mais e devido ao desenvolvimento de novas tecnologias, é o das bikes "endurance". Neste segmento, uma das mais tradicionais representantes, é a Specialized Roubaix. Seu quadro e geometria foram desenvolvidos para competições como a tradicional Paris Roubaix, onde foi várias vezes campeã. Lá, os melhores ciclistas da elite mundial competem por longos trechos de paralelepípedos, muitas vezes em meio à chuva e expostos a muitas intempéries. Tanto os materiais com que ela é construída, como a geometria são apropriados para absorver e dissipar as vibrações do terreno acidentado e propiciar mais conforto e desempenho. Os pneus são 700 x 25, mais largos que os tradicionais e ainda os modelos mais recentes são equipados com freios a disco.





Na faixa de R$ 4,5 a R$ 5,5, temos a Secteur, que embora tenha quadro em alumínio, é derivada da irmã mais velha, que já foi mais que estada e aprovada nas mãos de grandes ciclistas. Outra marca que dispõe de modelos interessantes é a Fuji, onde por cerca de 5,5 mil, a Sportif 1.1 oferece grupo de 10 velocidades, quadro que suporta pneus 700 x 25 ou mais e um grupo com relação compacta e cassete 11 x 30, para enfrentar qualquer subida com mais conforto e eficiência.



Vários modelos deste segmento oferecem quadros com furações especiais, que permitem instalação de bagageiro e isso as transforma em ótimas bicicletas de cicloturismo. Ainda há os que prefiram adaptá-las para o uso no ciclocross, com pneus mistos, capazes de enfrentar algumas estradas de chão leves. Um dos principais diferenciais está na geometria frontal, onde a frente mais alta permite que o ciclista pedale em uma posição mais ereta, com maior controle da bicicleta, além do uso de pneus mais largos, que permitem um maior controle e estabilidade. Um detalhe especial destas bikes está nos freios, normalmente com braços mais longos para alcance nos aros mesmo usando pneus maiores, já que os freios tradicionais são desenvolvidos bom base nos conceitos de aerodinâmica, onde a roda fica sempre muito próxima do quadro.





Agora, se você possui ou pretende adquirir uma bicicleta tradicional, voltada para o uso em ciclismo de estrada, esta não precisa ser ajustada em uma posição "racing", como os atletas "pro tour". Basta você promover alguns ajustes nela para que fique mais confortável e com uma geometria mais acertada. Deixar a espiga do garfo mais longa, com alguns espaçadores abaixo do seu avanço são uma boa opção. O uso de um selim mais confortável, com a adoção de um canote em fibra de carbono podem ajudar a dissipar vibrações da traseira da bike, mesmo efeito proporcionado pelos garfos em fibra de carbono na parte frontal. Se o quadro puder ser do mesmo material, melhor ainda, pois o carbono tem essa propriedade, de absorver vibrações e ao mesmo tempo que é rígido ser um quadro muito confortável.




O uso de outros componentes em fibra de carbono e com ajustes próprios pode tornar a sua vida mais confortável. Usar o avanço positivo ao invés de negativo, como é muito comum em bikes de competição torna a frente mais alta e confortável. Um guidão ergonômico e o uso de fita de guidão com gel podem tornar a pegada muito macia para suas mãos (ainda mais se você usa luvas com gel). A adoção de canotes retos e com micro-ajuste pode beneficiar o conforto e o desempenho, pois estudos afirmam que o canote reto permite ao ciclista maior transmissão de potência.



Usar uma boa bermuda e uma camisa de ciclismo também aumentam o conforto da pedalada, especialmente se o forro for de boa qualidade. A sapatilha, temida por muitos, permite uma pedalada mais redonda, um melhor aproveitamento da musculatura posterior das pernas e oferece mais segurança em cadências maiores e fora do selim. Assim, aceite a sapatilha como sua amiga, ela pode te ajudar muito se você superar o medo de cair. Uma boa sapatilha não precisa ser cara e nem rígida a ponto de ser desconfortável. Para fins recreativos, vários modelo foram desenvolvidos pensando na funcionalidade e conforto dos usuários.




Fora estes itens, outros "upgrades" podem deixar sua bike mais bela, leve, funcional e confortável. Um dos maiores upgrades em termos de desempenho são as rodas. A adoção de cubos com rolamentos selados e raios aerodinâmicos permite a você pedalar mais com o mesmo nível de esforço. E se você me disser "não vou competir", reflita sob a confortável ótica de andar o mesmo que andava antes com muito menos esforço. Isto também é conforto!





Para os aficionados, os pequenos detalhes, ajustes e modificações são um mundo de infinitas possibilidades, mas se você focar em uma proposta honesta com seus propósitos, pode desfrutar bons momentos com sua "magrela" sem gastar muito e sem ser um super atleta. Mas não esqueça de que você também precisa investir em você. Boa alimentação, qualidade de vida e quem sabe perder aqueles quilinhos que o incomodam. Pois, mas que fazer um upgrade na bike, você deve ver o que precisa de upgrade na sua vida. E se conforto e desempenho máximo não andam lado a lado nas provas de ciclismo, nós damos as dicas para que eles possam, pelo menos, conviver em paz na sua relação com a sua (nova ou antiga) bike.



Equipe Rodociclo.