UM POUCO DE NOSSA LOJA

Novo espaço Rodociclo para 2014!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

SPEED CONFORTÁVEL? MITO OU REALIDADE



Nossa última postagem foi sobre a temporada de 2015 das provas de ciclismo aqui no Rio Grande do Sul. Para muitos, este assunto pode parecer um pouco fora da realidade, já que a maioria dos ciclistas que procura na bicicleta uma opção para atividade esportiva e lazer não tem o foco em competições e mesmo olha este mundo de uma forma um tanto distante. Para quem começa no esporte buscando o conforto e a versatilidade de uma MTB, a speed passa a imagem de desconforto e limitação, uma bike que é usada apenas por "ciclistas profissionais" que possuem alta performance. Mas não é bem assim. Ágeis, elas são as bikes ideais para quem quer ir mais longe com muito menos esforço e nem sempre precisam andar nos pavimentos mais perfeitos.



E mesmo que seu objetivo seja apenas praticar um esporte, a evolução dentro da sua prática é um caminho natural, que você desvendará à medida que ganha condicionamento e experiência. E mesmo que a sua intenção não seja ser um atleta de ponta, porque não dar uma apimentada no seu pedal, ir mais longe e até mesmo brincar em competições nas categorias amadoras, andando de speed? E ela não precisa ser dura e desconfortável, nem ter aquela posição "racing" que vemos os atletas do Tour de France usando. Basta você saber onde mexer para deixar ela bem ao seu gosto.



Aqui já tivemos inúmeros casos de ciclistas que começaram andando de bike a passeio e hoje participam de competições regionais de ciclismo e provas de longa distância, como Audax, onde se pedala a partir de 200 km em cada etapa, onde trocaram as suas MTB por speed, ou melhor, não trocaram, optaram pela speed como sua segunda bicicleta, deixando a MTB para pedais fora de estrada, uso urbano e mesmo casual a lazer, fazendo da estradeira a melhor companhia em trajetos mais longos.



Se você começou no esporte e sente que quer ir mais longe, seguem algumas dicas que, embora não dispensem a orientação de um profissional qualificado, como mencionamos em nossa matéria sobre Bike Fit, podem ajudá-lo a entrar no mundo das speed's sem sofrimento e sem gastos exorbitantes.



O primeiro passo é definir a sua bicicleta e a proposta a que ela se destina. Saber o tamanho certo do quadro e conhecer um pouco sobre geometria, materiais, grupos de componentes e suas variações é recomendável, assim como conhecer as principais marcas e os produtos que oferecem, pois algumas bikes já saem de fábrica prontas, sendo que produtos originais têm uma tendência a serem mais funcionais por serem desenvolvidos pensando em um conjunto de fatores e não em uma situação específica. Talvez você ainda tenha que ajustar algum detalhe, mas este será mais simples



Um segmento que vem crescendo cada vez mais e devido ao desenvolvimento de novas tecnologias, é o das bikes "endurance". Neste segmento, uma das mais tradicionais representantes, é a Specialized Roubaix. Seu quadro e geometria foram desenvolvidos para competições como a tradicional Paris Roubaix, onde foi várias vezes campeã. Lá, os melhores ciclistas da elite mundial competem por longos trechos de paralelepípedos, muitas vezes em meio à chuva e expostos a muitas intempéries. Tanto os materiais com que ela é construída, como a geometria são apropriados para absorver e dissipar as vibrações do terreno acidentado e propiciar mais conforto e desempenho. Os pneus são 700 x 25, mais largos que os tradicionais e ainda os modelos mais recentes são equipados com freios a disco.





Na faixa de R$ 4,5 a R$ 5,5, temos a Secteur, que embora tenha quadro em alumínio, é derivada da irmã mais velha, que já foi mais que estada e aprovada nas mãos de grandes ciclistas. Outra marca que dispõe de modelos interessantes é a Fuji, onde por cerca de 5,5 mil, a Sportif 1.1 oferece grupo de 10 velocidades, quadro que suporta pneus 700 x 25 ou mais e um grupo com relação compacta e cassete 11 x 30, para enfrentar qualquer subida com mais conforto e eficiência.



Vários modelos deste segmento oferecem quadros com furações especiais, que permitem instalação de bagageiro e isso as transforma em ótimas bicicletas de cicloturismo. Ainda há os que prefiram adaptá-las para o uso no ciclocross, com pneus mistos, capazes de enfrentar algumas estradas de chão leves. Um dos principais diferenciais está na geometria frontal, onde a frente mais alta permite que o ciclista pedale em uma posição mais ereta, com maior controle da bicicleta, além do uso de pneus mais largos, que permitem um maior controle e estabilidade. Um detalhe especial destas bikes está nos freios, normalmente com braços mais longos para alcance nos aros mesmo usando pneus maiores, já que os freios tradicionais são desenvolvidos bom base nos conceitos de aerodinâmica, onde a roda fica sempre muito próxima do quadro.





Agora, se você possui ou pretende adquirir uma bicicleta tradicional, voltada para o uso em ciclismo de estrada, esta não precisa ser ajustada em uma posição "racing", como os atletas "pro tour". Basta você promover alguns ajustes nela para que fique mais confortável e com uma geometria mais acertada. Deixar a espiga do garfo mais longa, com alguns espaçadores abaixo do seu avanço são uma boa opção. O uso de um selim mais confortável, com a adoção de um canote em fibra de carbono podem ajudar a dissipar vibrações da traseira da bike, mesmo efeito proporcionado pelos garfos em fibra de carbono na parte frontal. Se o quadro puder ser do mesmo material, melhor ainda, pois o carbono tem essa propriedade, de absorver vibrações e ao mesmo tempo que é rígido ser um quadro muito confortável.




O uso de outros componentes em fibra de carbono e com ajustes próprios pode tornar a sua vida mais confortável. Usar o avanço positivo ao invés de negativo, como é muito comum em bikes de competição torna a frente mais alta e confortável. Um guidão ergonômico e o uso de fita de guidão com gel podem tornar a pegada muito macia para suas mãos (ainda mais se você usa luvas com gel). A adoção de canotes retos e com micro-ajuste pode beneficiar o conforto e o desempenho, pois estudos afirmam que o canote reto permite ao ciclista maior transmissão de potência.



Usar uma boa bermuda e uma camisa de ciclismo também aumentam o conforto da pedalada, especialmente se o forro for de boa qualidade. A sapatilha, temida por muitos, permite uma pedalada mais redonda, um melhor aproveitamento da musculatura posterior das pernas e oferece mais segurança em cadências maiores e fora do selim. Assim, aceite a sapatilha como sua amiga, ela pode te ajudar muito se você superar o medo de cair. Uma boa sapatilha não precisa ser cara e nem rígida a ponto de ser desconfortável. Para fins recreativos, vários modelo foram desenvolvidos pensando na funcionalidade e conforto dos usuários.




Fora estes itens, outros "upgrades" podem deixar sua bike mais bela, leve, funcional e confortável. Um dos maiores upgrades em termos de desempenho são as rodas. A adoção de cubos com rolamentos selados e raios aerodinâmicos permite a você pedalar mais com o mesmo nível de esforço. E se você me disser "não vou competir", reflita sob a confortável ótica de andar o mesmo que andava antes com muito menos esforço. Isto também é conforto!





Para os aficionados, os pequenos detalhes, ajustes e modificações são um mundo de infinitas possibilidades, mas se você focar em uma proposta honesta com seus propósitos, pode desfrutar bons momentos com sua "magrela" sem gastar muito e sem ser um super atleta. Mas não esqueça de que você também precisa investir em você. Boa alimentação, qualidade de vida e quem sabe perder aqueles quilinhos que o incomodam. Pois, mas que fazer um upgrade na bike, você deve ver o que precisa de upgrade na sua vida. E se conforto e desempenho máximo não andam lado a lado nas provas de ciclismo, nós damos as dicas para que eles possam, pelo menos, conviver em paz na sua relação com a sua (nova ou antiga) bike.



Equipe Rodociclo. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

PROVAS DE MTB E MEIO FUNDO ABREM A TEMPORADA 2015 DO CICLISMO GAÚCHO.



Apesar da previsão do tempo não ser favorável, o domingo ensolarado foi o palco de duas importantes provas de ciclismo no Rio Grande do Sul. Enquanto os melhores atletas do MTB gaúcho encararam as estradas de chão do interior de Barra do Ribeiro, em etapa válida pelo Campeonato Gaúcho de Cross Country da FGC, em Igrejinha ocorria a 1ª Etapa da Copa União de Ciclismo, uma prova de meio fundo, que contou com bom público e número de atletas significativo, sendo uma boa oportunidade para os ciclistas "aquecerem os motores" para o ano que está começando.



O forte calor, que exigiu bastante dos ciclistas, ainda assim, esteve abaixo da média do mesmo período do ano passado e foi um adversário à parte para testar o preparo de quem buscava um lugar no pódio. Algumas equipes ainda estão em fase de estruturação e definição dos nomes e categorias que participarão, de modo que o que se espera é um número crescente de atletas nas próximas provas de todas as modalidades.



Dia 24 de janeiro deve ocorrer a 1ª etapa do Gaúcho de Ciclismo, desta vez em Sapiranga, sendo que o evento deve ocorrer entre 16:00 e 21:00. Já pela Copa União, as próximas provas ocorrerão no dia 22/02/15, em Cachoeirinha (circuíto) e 15/03/15, em Três Coroas, esta última, uma das mais tradicionais provas de estrada do nosso estado, a Volta das Hortênsias, que chega a sua 10ª edição.





Aproveitamos o domingo ensolarado para cair na estrada e registrar um pouco do que a galera do ciclismo está preparando para 2015, pedalando 165 km em um bate-volta até Igrejinha, que no retorno, contou com a presença do casal de amigos Fábio e Simone Hemb, que também aproveitaram o evento para fazer seu treino.



No caminho, passamos por vários carros transportando bikes, alguns voltando das competições, outros de passeios e pedais pelo interior, como foi o caso do nosso amigo Fábio Festugatto, que pedalou com seus amigos "apenas" 240 km com mais de 3.000 metros de subida em um único dia.





É neste clima que inauguramos as postagens do ano de 2015 em nosso blog, também agradecendo os mais de 250 mil acessos conquistados neste final de ano. Este é o fruto do nosso trabalho, que a cada dia conquista mais leitores e aproxima ainda mais os amantes do esporte, todos conectados por um único sentimento: a alegria de curtir a liberdade sobre a bike!




Um ótimo 2015 aos nossos amigos e leitores, já que somos, acima de tudo, apaixonados pelo ciclismo!

Equipe Rodociclo

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

PALESTRA MOTIVACIONAL E BLACK FRIDAY ABREM O FINAL DE ANO DA RODOCICLO.


Como toda a empresa que busca crescimento e excelência no que faz, investir na qualidade e na formação dos colaboradores é preponderante, pois é através deles, especialmente em um estabelecimento comercial, que ocorre o relacionamento com o cliente. Mais que produtos ou bons preços, é preciso criar condições que sejam atrativas ao cliente. Bom ambiente, atendimento qualificado, facilidades na hora da compra, variedade, entre outros, são fatores preponderantes para atrair e fidelizar o cliente.



No ramos das bikes, essa relação quase sempre é mais estreita, pois normalmente quem trabalha com esse tipo de produto tem algum tipo de envolvimento com o esporte, o que gera afinidade com o cliente por ambos, vendedor e comprador, terem o mesmo gosto pelo esporte. 

Para garantir um bom final de ano, já que dezembro bate à porta e promete ser mais um final de ano movimentado, nós da Rodociclo já estamos antecipando nossos preparativos. O primeiro, ficou por conta de um seminário motivacional, com foco no comportamento do colaborador perante à empresa e também no sentido de prestar um atendimento de qualidade, seja direta ou indiretamente ao cliente final, pois é dele que depende qualquer estabelecimento comercial. 

Entender como se portar em grupo, como romper barreiras pessoais, como trabalhar de forma organizada e prestativa, como ser positivo, administrar metas, rotina diária de trabalho, buscando sempre o sucesso de uma forma motivada foram alguns pontos abordados, com passagens sobre o que se espera de um profissional e o que o mercado atual hoje exige deste para que ele não seja apenas "mais um" e sim faça a diferença. Na oportunidade, o evento foi finalizado com confraternização dos colegas, durante uma janta, onde foi possível deixar de lado os assuntos de trabalho e a diversão tomou conta do pessoal!



E como nosso objetivo sempre foi fazer a diferença, abrindo os preparativos deste final de ano, estaremos realizando nesta sexta, 28/11 o nosso Black Friday, uma promoção já tradicional no comércio, que nesta data, deverá abranger vários setores do comércio, que prometem em cada segmento, ótimas promoções para seus clientes. 

Já preparamos uma super lista com mais de 140 produtos com desconto de até 50%. Fora estes, haverá por toda a loja uma série de promoções especiais, que incluem compra de produtos em até 12 vezes (bicicletas) e facilidades para parcelamento em até 6x em todas as linhas. 




Curta nossa página no Facebok: 




Aproveite esta sexta, pois esta promoção dura apenas um dia!

Equipe Rodociclo!

sábado, 15 de novembro de 2014

CONHEÇA NO NOVO SITE DA RODOCICLO E AS NOVIDADES PARA 2015!



Deu um pouco de trabalho, mas enfim, está quase pronto! O nosso novo site, que estava previsto para ser lançado em meados deste ano, passou por algumas reformulações e chega totalmente reformulado. O antigo, como muitos clientes comentavam, não estava a altura da loja, que agora conta com uma versão bem mais moderna, incorporando mais recursos e um trabalho especialmente desenvolvido por um web designer. 

Ainda faltam alguns ajustes e cadastrar muita coisa. A nova versão integra links para o blog, redes sociais e deverá estabelecer link com as principais marcas que trabalhamos. Poderão ser expostos produtos com mais de uma foto e haverá espaço para uma gama maior de informações e até mesmo download de manuais e conteúdo técnico quando for o caso. 

Para 2015, a grande novidade será a ativação do módulo que permitirá compras on-line de forma quase que automatizada.  Este ainda não está ativo, pois ainda depende de alguns ajustes internos, pois desejamos que seja vinculado ao estoque físico da loja, o que deverá ser feito mediante a implantação de um sistema de ERP (Enterprise Resource Planning), termo que traduzido para nossa compreensão, quer dizer Sistemas Integrados de Gestão Empresarial. 

Há algum tempo, postamos uma matéria sobre a nossa rotina aqui na loja, (confira aqui) comentando justamente sobre aquilo que muitas pessoas não conhecem. Enquanto muitos associam o nosso trabalho ao de muitas "bicicletarias" tradicionais,  a nossa rotina enquanto "Bike Shop" abrange muitos conceitos que se aplicam às grandes empresas, tanto no aspeto de gestão como práticas diárias, que incluem recepção de pedidos, organização de estoque, formação de preço, estudo de aspectos tributários e contábeis que envolvem a comercialização dos nossos produtos, política de garantias e ferramentas como sistemas internos e site, este último, que se comunica diretamente com o cliente.


A implantação da loja virtual é um trabalho que começou em 2009, quando foi inaugurada a nova loja física, no endereço atual, momento que foi iniciado o processo de organização interna, implantação de um novo sistema de estoques e gerenciamento das vendas, sendo também o ano que foi criado o nosso Blog. Esperamos fechar o ano com 250 mil visitas, um número que nos deixa muito satisfeitos, pois é uma prova do reconhecimento e da aprovação do leitor ao nosso trabalho, que sempre busca abordar temas do interesse dos ciclistas, independente da sua modalidade ou preferência. O foco é o uso da bike!


Desejamos aos nossos leitores um ótimo feriado e um bom final de semana, especialmente para aqueles que tiverem a chance de fazer o que todos nós amamos fazer: pedalar!

Equipe Rodociclo

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

CICLOVIAS NO BRASIL: VERDADES E MITOS. ATÉ ONDE ELAS FORAM FEITAS PARA CICLISTAS?


Lugar de bicicleta é em cima da calçada! Forma estranha de começar um texto, mas é com essa reflexão, uma frase que ouvi da minha avó e de muitas outras pessoas ao longo de anos, que começamos o nosso texto de hoje. Uma cultura ultrapassada, mas ainda muito forte em nossa população, que tem no carro seu principal meio de transporte, sendo ainda de forma secundária (ou não tão secundária), um símbolo de status, sucesso pessoal e mesmo poder!


Por outro lado, MOBILIDADE é um termo que está em alta já faz algum tempo, associado a diversas questões de cunho ambiental, estas não tão recentes, pois já se fala em preservar o meio ambiente há décadas. E se antes, a consciência ecológica era vista por muitos como "modismo", hoje é uma questão séria, tratada em âmbito mundial por órgãos como Nações Unidas e União Européia, estas precursoras na adoção de normas com vistas à redução da emissão de gases poluentes e preservação ambiental.


Mas se os veículos automotores são responsáveis pela emissão de poluentes devido à queima de combustíveis à base de petróleo, as próprias indústrias automobilísticas estão investindo em novas tecnologias menos poluentes, como veículos híbridos ou movidos a energia elétrica. Alguns, já são capazes de produzir sua própria energia através do seu movimento, aproveitando a energia gerada pelos freios e outras fontes. Tecnologias caras, mas que diante de uma possível crise no petróleo, prevista para as próximas décadas, aliadas à provável imposição de normas mais rígidas sobre a emissão de poluentes, no futuro tendem a ser a saída para que as indústrias do segmento automobilístico continuem ativas. E como tudo que um dia foi caro e hoje não é mais, é uma tendência que tais tecnologias se popularizem e se tornem mais acessíveis.


Mas mesmo que a solução sob a ótica ambiental seja encontrada, ainda fica exposta ao debate a questão da mobilidade urbana. Onde vamos colocar tantos carros? E onde vamos colocar as pessoas? Neste ponto é que vamos entrar na nossa realidade cotidiana. Na realidade vivida hoje em nossa cidade, Porto Alegre, que até alguns anos, enfrentava seus congestionamentos e tinha seus problemas de trânsito, mas com o passar do tempo, está se tornando um caos. Isto porque os investimentos em infra-estrutura não acompanharam o número crescente da frota de veículos nas ruas. E convenhamos, ainda que tais investimentos fossem feitos, chegaríamos a um limite físico, onde o o carro passaria a ocupar (mais do que já ocupa) o lugar das pessoas.

Av. Edgar Pires de Casto já enfrenta congestionamentos

Vamos tentar entender o que está acontecendo, analisando de forma breve a nossa realidade econômica. Nos últimos anos, tanto os imóveis como os veículos tiveram forte incentivo para que fossem adquiridos através de financiamentos mais longos e facilidades ao crédito. Novos condomínios, prédios e loteamentos estão surgindo todos os dias. Alguns, muito distantes da região central. E se as Zonas Norte e Leste da cidade, que fazem divisa com outros municípios e não têm como crescer estão saturadas, a Zona Sul está em plena fase de expansão. Porém, alguns bairros do sul da cidade estão há mais de 40 km do centro, obrigando o cidadão a enfrentar um demorado deslocamento, seja no transporte coletivo, naturalmente lotado e demorado ou dentro do seu carro, devido não só á distância, à falta de estrutura da malha viária na região. Tal fenômeno também é observado em capitais como Rio e São Paulo, que chegam a ter bairros há mais de 70 km do centro.

BR 116 - Canoas/RS

Com isso, vemos todos os dias o trânsito saturado nas principais rotas de acesso à cidade, nas quais incluímos a BR 116, que leva ao Vale dos Sinos e norte do Estado. Mesmo com a Rodovia do Parque, recentemente inaugurada, a velha 116 continua cada vez mais congestionada, impactando diretamente o deslocamento nos municípios por onde passa. Aqui na cidade não é diferente. As ruas e avenidas que ligam o centro aos bairros da Capital, num raio de 20 a 30 km, estão cada vez mais movimentadas e qualquer problema de trânsito ou acidente, mesmo que mais afastado, pára a cidade toda! Aos poucos, os engarrafamentos que assustavam pela TV em São Paulo e no Rio estão se tornando uma rotina real na vida de muitos cidadãos aqui. E mesmo quando não tem nada errado, nada anda.


Uma alternativa para desafogar o trânsito, seria adoção de meios de transporte alternativos. O transporte coletivo não é dos mais baratos e segue sem qualidade. Aumentar a tarifa o tornaria melhor? E qual o impacto econômico que traria para o trabalhador e para a economia? Outra solução seria o uso da bicicleta, como já comprovado em estudos, muito funcional em deslocamentos curtos, de até 10 km, poupando muitas viagens de carro e sendo, de certa forma, muito mais ágil e eficiente, pois pode chegar a pontos que nem sempre o carro chega, com muito menos custos e agregando saúde e qualidade de vida ao seu usuário. A bicicleta é barata, não polui, ocupa pouco espaço e não emite ruído.

Mas aí entram questões como segurança, a falta cultura ou de hábito em praticar um esporte, locais apropriados para estacionar a bicicleta de forma segura e mesmo um local para tomar banho, já que nosso clima tropical, bem diferente do europeu, exige alguns procedimentos adicionais ao usuário que deseja ir para o trabalho ou se locomover de bike entre seus compromissos. Outra grande reivindicação do ciclista brasileiro e talvez a maior alavanca ao uso da bicicleta é a CICLOVIA.


Sim, a ciclovia é o ponto chave que gostaríamos de abordar, tratando dela nos moldes brasileiros e não europeus. É muito comum ouvir pessoas que a defendem (e com razão), pessoas estas que conhecem a Europa e assim, comparam a sua estrutura cicloviária à realidade brasileira. Este sim, é o nosso erro! Lá, a ciclovia está inserida em um outro contexto. A bicicleta está incorporada à vida do cidadão europeu há décadas e não obstante, ela é respeitada e idolatrada como esporte, como meio de locomoção. O cidadão europeu não se sente menor por usar a bicicleta e nem trata como tal quem a usa.

Já aqui, o usuário da bicicleta é tratado como alguém "desfavorecido", que usa a bicicleta porque não teve condições de ter um carro ou então, como um "desocupado" que está ali perturbando o trânsito porque não tem o que fazer. Quando falamos que vamos ao trabalho de bike, as pessoas costumeiramente perguntam: "Mas tu não cansas?" ou "Porque tu não compras um carro ou uma moto que seja, e vem como todo mundo?...". E infelizmente, muitos dos que lutam e idealizam a bicicleta em nosso país, pensam como europeus e colocam-se contra o nosso sistema de trânsito, criando assim uma divisão clara, como se motoristas e ciclistas fossem inimigos.


Não está errado usar o o carro. Na verdade, somos conseqüência das nossas escolhas. Uma vez, conversando com uma pessoa da área de ciências sociais sobre o descaso do poder público com relação à bicicleta, esta me colocou de volta à realidade, dizendo que o governo legisla para a maioria, para as demandas onde um número maior de pessoas deseja que haja investimento. E a maioria da população quer estrutura para usar o carro. Não é culpa do governo, e nem do motorista, mas de um contexto onde todos nós estamos inseridos. Educação seria a solução. Para que tenhamos políticas públicas para as bicicletas, temos que ter demandas para isso. Esta demanda existiria naturalmente se a cultura que reprime o uso da bicicleta em nossa sociedade desse lugar a uma consciência mais humana e menos motorizada.

Já os políticos, que administram e legislam em favor do carro, nada mais fazem que cuidarem dos interesses da maioria (e dos seus, claro). E da mesma forma, não fazem a menor questão de educar o povo. Na rua, por parte dos motoristas, impera a cultura "malandra" do "jeitinho brasileiro", de quem ignora as leis ou só as observa quando fiscalizado de perto ou quando pesa no bolso. Motoristas, ciclistas e pedestres agem desta forma. Cada um por si, gerando com isso, uma verdadeira guerra onde todos perdem. Neste ponto, entra em ação a demanda pública dos representantes dos ciclistas, daqueles que pedem mais espaço e respeito no trânsito. Eles reivindicam que tenhamos a mesta estrutura que existe na Europa, mas falta cultura aqui para que essa reivindicação seja aceita e funcione. Não somos respeitados e esta deveria ser a base de qualquer coisa. E, eis o que vemos na nossa cidade: o problema sendo empurrado com a barriga.


Neste ponto, vai uma dica para muitos ciclistas, aqueles que como eu, tantas vezes não respeitaram uma faixa de pedestres ou um sinal fechado. Também vai um apelo à consciência daqueles que vão à massa crítica xingar motoristas e no dia seguinte, trazem a bike aqui na loja para consertar o pneu furado usando o carro do pai (não são todos, mas têm muitos). Estamos no caminho errado. Estamos declarando guerra com os carros que nós também usamos. Mas o motorista não é nosso inimigo. Não podemos fazer tudo de bike. Queremos que o carro seja usado quando necessário e que possa COEXISTIR EM PAZ com a bicicleta. Simples assim!

Até alguns anos, pedalar em Porto Alegre era possível. Diante dos crescentes problemas do trânsito e da popularização do tema "mobilidade", a bicicleta tem sido alvo das atenções de diversos segmentos da sociedade. A população está mesmo andando mais de bicicleta! Mas, se de um lado, um grupo luta por mais espaço e estrutura, de outro lado, o governo "atende" esta demanda, mas de forma parcial.

Faz de conta que investe na malha cicloviária, mas segue incentivando o uso do carro. Enquanto isso, a maioria da população, formada por aqueles motoristas que não pensam em usar bicicleta, simplesmente vive alheia à questão, apenas preocupada com as horas perdidas em longos congestionamentos. A solução é simples, mas vai custar um pouco de esforço de cada um. E destas pessoas, se não conseguirmos convencê-las a deixar o carro em casa por alguns momentos que seja, precisamos algo muito importante: RESPEITO!


Para muitos, melhorou, para outros, piorou. Tudo depende do ponto de vista. De modo a calar a boca dos que clamam por ciclovias, as ruas e avenidas da cidade estão sendo preenchidas por "ciclovias" e faixas pintadas sobre calçadas, que andam na contra-mão e não são dotadas de infra-estrutura para garantir a segurança necessária ao usuário. Com isso, menos pessoas pedalam e aí gera-se a situação de falta de demanda. E mais, aquele usuário que se desloca em distâncias maiores que as cobertas por ciclovias ou que tem hora para chegar no trabalho usando a bicicleta, enfrenta cada vez mais o preconceito de motoristas que simplesmente, não o querem na via, porque agora tem ciclovia!


Para quem está começando a se aventurar no mundo da bike e dispões de tempo em horários intermediários, a ciclovia é sem dúvida a melhor opção. Nos finais de tarde na Beira-Rio, a ciclovia é invadida por pedestres, pessoas correndo ou passeando com seu cachorro, ciclistas que andam em zigue-zague, crianças, afinal a ciclovia é encarada como um local de passeio, de descontração. Isto porque a demanda de locais públicos de lazer é grande em relação ao espaço disponível. E como fica o usuário que depende da sua "magrela" para locomoção? Se anda nas ruas, ouve desaforos do motorista, que diz que para a bicicleta existe a ciclovia, ou então a calçada. Na ciclovia, não possui espaço para andar seguro. Já os governantes lavam as mãos, afinal, deram o que os ciclistas pediam: ciclovias.


Em muitos locais, a ciclovia se funde com a calçada. Existe o risco de envolver-se em acidentes com carros e pedestres, já que em alguns trechos, ela pode estar na contra-mão, como é o caso da rua Barros Cassal, no bairro Bom Fim, onde semana passada fui parado por um motorista que me indagou o porque de eu estar fora da ciclovia. Esta, na contra-mão, era ocupada por completo por um grupo de cinco pessoas que caminhava descontraidamente.


Já na Ipiranga, é questionável a segurança do ciclista, que tem seu trajeto aumentado ao ter que contornar o Arroio Dilúvio em vários trechos, pedalando sempre cercado por grades que o separam do trânsito. Em dias de chuva, a tinta usada na pintura do pavimento torna a via mais escorregadia. Faltou um planejamento técnico. À noite, muitos trechos mal iluminados abrem precedentes para o risco de assaltos e, do nada, a ciclovia acaba, pouco depois da avenida Silva Só. Para onde vai o ciclista dali?


Na Loureiro da Silva, a ciclovia recentemente implantada também apresenta alguns problemas críticos, inicialmente mal sinalizada, dificultando o acesso e saída dos ciclistas, que deve ser compartilhado com veículos em alta velocidade em alguns dos seus entroncamentos. Algumas obras para sua melhoria ocorreram este mês, mas ela ainda carece de estrutura para garantir a segurança do usuário. Em alguns pontos, a estreita ciclovia também abre precedentes para o descuido de pessoas que ao abrir a porta direita do veículo podem derrubar o ciclista, que ao trafegar neste tipo de via, acaba ficando pouco à vista do motorista que, ao converter, também pode atingi-lo.


Já na avenida que passa diante do Barra Shopping, rumo à Zona Sul, uma das primeiras ciclovias entre as mais recentes da capital, implantada com a construção do shopping, em alguns pontos, nada mais é que uma calçada que foi pintada. E se o código de trânsito diz que a bicicleta não pode andar na calçada, lá pedestres e ciclistas compartilham o mesmo espaço. Se for uma ciclovia, para onde mandaremos os pedestres? Ou será que se trata apenas de uma calçada pintada? Embora existam muitos conceitos sobre ciclovia e ciclofaixa, pensemos: na prática, para quem anda, está certo?



Deslocar-se de bicicleta pela cidade, em uma velocidade de 25 km/h seria algo natural para qualquer usuário. Na ciclovia, hoje, é impossível andar a mais de  15 km/h. Como termos uma demanda de pessoas comprometidas com seu trabalho e afazeres, onde não se consegue manter uma velocidade apropriada para isto? E se se a ciclovia não atinge seu propósito, como esperamos que seja usada?


Questões como esta, que mostram investimentos feitos de forma desordenada por parte do governo em ciclovias que ligam o nada a lugar algum ou só contemplam alguns pontos específicos acabam sendo alvo de contestação por parte da opinião pública, por darem a impressão que foram concebidas para os momentos de lazer de alguns bairros mais privilegiados. Costumo perguntar como faz aquele trabalhador da construção civil que vem todos os dias de Viamão pela Bento e Ipiranga (observem, muita gente anda ali cedo), que não usa capacete e nem uniforme, anda com uma bike velha e Havaianas surradas? Quem pensa nele?


Recentemente, tem acontecido um movimento para que seja criada uma ciclovia na Avenida Sertório. Alguns a defendem, enquanto outras pessoas preferem que o investimento em uma ciclovia seja destinado a melhorar o trasporte na região e em obras para desafogar esta, que como muitas, no final do dia, torna-se um calvário de horas para quem quer chegar à Zona Norte. E para os ciclistas, a adoção de uma ciclovia na região seria mesmo benéfica? Existe garantia de segurança ao usuário que trafega ali? Qual o espaço que será destinado a ela?

Li em um fórum que um determinado senhor acreditava que o investimento não se justificaria, pois ele, mesmo não tendo nada contra bicicletas, padecia todos os dias nos congestionamentos da via e preferia investimentos em infra-estrutura. Segundo ele, o uso de mais espaço da via para uma ciclovia para poucos, se comparada ao grande volume de carros, seria um investimento caro e prejudicial à coletividade. Ele, no entanto, assumiu que usaria o transporte coletivo se o mesmo tivesse melhores condições. Justificou que seu trabalho estava distante 30 km da sua residência e não oferecia condições nem estrutura para deslocamento com bicicleta. Quantos milhares como ele existem? Podemos condená-los?

Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Sabemos que fazer uma ciclovia é relativamente barato se comparado à pavimentação de uma via ou seu alargamento. Mas será que a ciclovia será respeitada e usada de forma correta, ou quem realmente precisar usar ela com um propósito de chegar a um destino na hora certa terá que se aventurar no trânsito e ouvir os xingamentos dos motoristas? Talvez junto com as ciclovias, devesse haver por parte do poder público um investimento em campanhas educativas e fiscalização, a exemplo do que está acontecendo em São Paulo. Condições nós também temos. Nossa EPTC também pedala!


Lá, como mostraram vérios tele jornais, os ciclistas enfrentam os mesmos problemas, mas o poder público investiu e contratou agentes, não para punir, mas sim, orientar pedestres, motoristas e os próprios ciclistas. Já aqui, nosso plano cicloviário esbarrou no projeto do Vereador João Carlos Nedel (PP), que prevê a implantação de ciclovias ou ciclofaixas somente onde não resultarem em redução ou eliminação das faixas destinadas ao fluxo dos carros e das áreas de estacionamento existentes no local. Segundo o vereador, ele está priorizando o fluxo de 800 mil carros, já que a demanda por ciclovias seria estimada em mil bicicletas.

Mesmo quando questionado sobre a legalidade da sua proposta ou sobre os aspectos técnicos, além de demonstrar falta de conhecimento técnico, demonstrou pouco caso com Plano Cicloviário municipal, este sim, em consonância com a Política Nacional de Mobilidade Urbana.

Você pode ler a íntegra sobre este assunto clicando aqui neste no link.

Esta é uma discussão bastante ampla e acreditamos que está longe de ser encerrada. Falta cultura à nossa população e faltam investimentos por parte do poder público. O uso do carro movimenta, formal e informalmente milhões. Vemos veículos sem condições circulando pelas ruas, mas são mantidos porque bem ou mal, geram algum imposto, consomem peças, pneus, movimentam as oficinas prestadoras de serviços. E o comércio e a indústria formal que gira ao redor do carro também tem seus interesses.

Não obstante, nossa sociedade gira em torno do carro, seja por status, conforto ou mesmo segurança. Se não nos sentimos seguros para ir à padaria a pé, compramos um carro e vamos nele. Se não temos saúde, precisamos de um carro para ir ao hospital, porque o SAMU demora. E por aí vai. Será que sua vida não seria muito mais simples se nosso país fosse menos corrupto e o dinheiro do imposto que pagamos em cada kg de arroz comprado fosse usado para sua finalidade.


Você sabia que cada bicicleta que anda na rua paga impostos? Todos pagamos. Pagamos para não ter qualidade de vida, para respirarmos a fumaça saturada dos 800 mil carros nas ruas da nossa cidade, presos por horas em congestionamentos. Quanto tempo você deixa de usar para seu lazer, para estar com sua família ou investindo em um projeto pessoal seu. Questione-se!

Não acredito que podemos mudar isso hoje. Só com educação. Só acabando com o "jeitinho brasileiro" que impera há décadas na nossa sociedade e faz a cabeça de uma geração, inclusive dos políticos. Enquanto vivermos presos sob o cabresto da ignorância e da falta de consciência crítica, seremos sim, um povo escravo!

Esperamos que este conteúdo tenha sido útil a você. Encaminhe o link desta postagem para algum amigo seu, ciclista ou não. Nós, como muitos ciclistas, acreditamos que somente o respeito pode unir as pessoas dos mais diferentes meios e que, mesmo sob alegação de segurança, qualquer segregação é uma forma tratar de forma paliativa o direito que cada um tem de ir e vir, seja a pé, de carro ou de bicicleta. Não esperamos que todos pensem como nós ou que todos andem de bicicleta, mas que nossa população a respeite e entenda que ela pode ser importante para tornar a vida de muitas pessoas melhor, inclusive daquele motorista que não anda de bicicleta, pois se o trânsito melhorar, ele e todos terão melhor qualidade de vida e menos poluição.

Um bom final de semana a todos. Nos despedimos deixando alguns conceitos do site http://vadebike.org/, que você confere abaixo ou na íntegra clicando no link.

Equipe Rodociclo



O que o Código de Trânsito diz sobre bicicletas e ciclistas.
Por Willian Cruz

"Ao contrário do que muita gente acredita, o texto do Código Brasileiro de Trânsito valoriza essencialmente a vida, não o fluxo de veículos. Na redação de seus artigos, percebe-se uma preocupação acima de tudo com a integridade física dos diversos atores do tráfego, sejam eles motoristas, motociclistas, ciclistas ou pedestres.

Bicicletas, triciclos, handbikes e outras variações são todos considerados veículos, com direito de circulação pelas ruas e prioridade sobre os automotores. Portanto, quando falarmos em bicicletas neste artigo, considere que podem também ser “ciclos” de outra natureza.

Veja abaixo todos os artigos que se referem a esses meios de transporte:

Bicicletas, triciclos, handbikes e outros também são veículos:

BICICLETA - veículo de propulsão humana, dotado de duas rodas, não sendo, para efeito deste Código, similar à motocicleta, motoneta e ciclomotor.

CICLO - veículo de pelo menos duas rodas a propulsão humana.

Órgãos de trânsito têm obrigação de garantir a segurança de ciclistas:

Art. 21. Compete aos órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:
(…)
II – planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e segurança de ciclistas.

(o Art. 24 dispõe o mesmo sobre os órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios)

Pedestres têm prioridade sobre ciclistas; ciclistas têm prioridade sobre outros veículos:

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:
(…)
§ 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

Motoristas não devem “fechar” bicicletas:

Art. 38. Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou em lotes lindeiros, o condutor deverá:
(…)
Parágrafo único. Durante a manobra de mudança de direção, o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem.

Ameaçar o ciclista com o carro é infração gravíssima, passível de suspensão do direito de dirigir e apreensão do veículo e da habilitação:

Art. 170. Dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública, ou os demais veículos:
Infração – gravíssima;
Penalidade – multa e suspensão do direito de dirigir;
Medida administrativa – retenção do veículo e recolhimento do documento de habilitação.

Colar na traseira do ciclista ou apertá-lo contra a calçada é infração grave:

Art. 192. Deixar de guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu veículo e os demais, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade, as condições climáticas do local da circulação e do veículo:
Infração – grave;
Penalidade – multa.

O carro deve dar preferência de passagem ao ciclista quando ele já estiver atravessando a via, mesmo se o sinal abrir:

Art. 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado:
I – que se encontre na faixa a ele destinada;
II – que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo;
(…)
Infração – gravíssima;
Penalidade – multa.
IV – quando houver iniciado a travessia mesmo que não haja sinalização a ele destinada;
V – que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo:
Infração – grave;
Penalidade – multa.
Tirar fina é infração média (além de perigosíssimo para o ciclista):

Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta:
Infração – média;
Penalidade – multa.

Se a fina for em alta velocidade, serão duas multas (a média ali de cima mais essa grave aqui):

Art. 220. Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito:
(…)
XIII – ao ultrapassar ciclista:
Infração – grave;
Penalidade – multa.

A fina é considerada também uma ultrapassagem inadequada. Veja como o Código determina que deva ser feita uma ultrapassagem:

Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:
(…)
XI – todo condutor ao efetuar a ultrapassagem deverá:
a) indicar com antecedência a manobra pretendida, acionando a luz indicadora de direção do veículo ou por meio de gesto convencional de braço;
b) afastar-se do usuário ou usuários aos quais ultrapassa, de tal forma que deixe livre uma distância lateral de segurança;
c) retomar, após a efetivação da manobra, a faixa de trânsito de origem, acionando a luz indicadora de direção do veículo ou fazendo gesto convencional de braço, adotando os cuidados necessários para não pôr em perigo ou obstruir o trânsito dos veículos que ultrapassou.

Ciclistas podem usar o lado esquerdo da via?

Por que ocupar a faixa com sua bicicleta

Ciclista deve usar faixa dos ônibus quando na direita

Lugar de bicicleta é na rua, no sentido dos carros e nas faixas laterais da via (inclusive na esquerda, embora geralmente seja bastante perigoso). E com preferência de uso da via.

Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

O chamado bordo da pista é a lateral da via, mas sem uma definição clara de até onde é considerado bordo (por isso ocupe a faixa, é mais seguro):

BORDO DA PISTA – margem da pista, podendo ser demarcada por linhas longitudinais de bordo que delineiam a parte da via destinada à circulação de veículos.

Ciclovia é uma estrutura separada do fluxo dos carros (e não é lugar de pedestre):

CICLOVIA – pista própria destinada à circulação de ciclos, separada fisicamente do tráfego comum.

Ciclofaixa é uma faixa exclusiva para bicicletas:

CICLOFAIXA – parte da pista de rolamento destinada à circulação exclusiva de ciclos, delimitada por sinalização específica.

Ciclofaixas podem ser implantadas no sentido contrário ao fluxo da via:

Parágrafo único. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.

Ao contrário da crença popular, não existe velocidade mínima na faixa da direita:

Art. 219. Transitar com o veículo em velocidade inferior à metade da velocidade máxima estabelecida para a via, retardando ou obstruindo o trânsito, a menos que as condições de tráfego e meteorológicas não o permitam, salvo se estiver na faixa da direita:
Infração – média;
Penalidade – multa.

Bicicleta pode ultrapassar carros pelo corredor quando estiverem parados ou aguardando em fila (quando estiverem em movimento, aguarde atrás deles como veículo e não se arrisque – saiba mais):

Art. 211. Ultrapassar veículos em fila, parados em razão de sinal luminoso, cancela, bloqueio viário parcial ou qualquer outro obstáculo, com exceção dos veículos não motorizados:
Infração - grave;
Penalidade - multa.

Somos proibidos de circular em vias de trânsito rápido (que não são qualquer avenida – veja definição mais abaixo), além de algumas outras coisinhas que pouquíssimos ciclistas sabem:

Art. 244, § 1º Para ciclos aplica-se o disposto nos incisos III, VII e VIII, além de:
a) conduzir passageiro fora da garupa ou do assento especial a ele destinado;
b) transitar em vias de trânsito rápido ou rodovias, salvo onde houver acostamento ou faixas de rolamento próprias;
c) transportar crianças que não tenham, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança.

Inciso III – fazendo malabarismo ou equilibrando-se apenas em uma roda;
Inciso VII – sem segurar o guidom com ambas as mãos, salvo eventualmente para indicação de manobras;
Inciso VIII – transportando carga incompatível com suas especificações

Via de trânsito rápido, aquelas em que o ciclista não pode trafegar, são APENAS as que não tenham cruzamentos, acessos diretos a garagens e faixas de travessia (por exemplo, a Av. 23 de Maio, em São Paulo). Em todas as outras ruas e avenidas, PODE.

VIA DE TRÂNSITO RÁPIDO – aquela caracterizada por acessos especiais com trânsito livre, sem interseções em nível, sem acessibilidade direta aos lotes lindeiros e sem travessia de pedestres em nível.

Quem está no carro, seja motorista ou passageiro, tem obrigação de olhar antes de abrir a porta, pois isso pode causar um acidente de graves consequências:

Art. 49. O condutor e os passageiros não deverão abrir a porta do veículo, deixá-la aberta ou descer do veículo sem antes se certificarem de que isso não constitui perigo para eles e para outros usuários da via.

Parágrafo único. O embarque e o desembarque devem ocorrer sempre do lado da calçada, exceto para o condutor.

Estacionar um carro na ciclovia ou ciclofaixa é infração grave, sujeita a multa e guincho (pois coloca em risco a vida do ciclista):

Art. 181. Estacionar o veículo:
(…)
VIII – no passeio ou sobre faixa destinada a pedestre, sobre ciclovia ou ciclofaixa, bem como nas ilhas, refúgios, ao lado ou sobre canteiros centrais, divisores de pista de rolamento, marcas de canalização, gramados ou jardim público:
Infração – grave;
Penalidade – multa;
Medida administrativa – remoção do veículo;

Placa permitido bicicletasAndar com o carro na ciclovia ou mesmo numa ciclofaixa é o mesmo que dirigir na calçada, infração gravíssima:

Art. 193. Transitar com o veículo em calçadas, passeios, passarelas, ciclovias, ciclofaixas, ilhas, refúgios, ajardinamentos, canteiros centrais e divisores de pista de rolamento, acostamentos, marcas de canalização, gramados e jardins públicos:
Infração – gravíssima;
Penalidade – multa (três vezes).

Bicicleta na calçada, só com autorização da autoridade de trânsito e sinalização adequada na calçada:

Art. 59. Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios.

Calçada é para pedestres, bicicleta só circula nela em casos excepcionais:

PASSEIO – parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último caso, separada por pintura ou elemento físico separador, livre de interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas.

Quer passar pela calçada ou atravessar com a bike na faixa? O CTB manda desmontar:

Art. 68. É assegurada ao pedestre a utilização dos passeios (…)
§ 1º O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres.

Buzina, espelho e “sinalização” na frente, atrás, dos lados e nos pedais (que pode ser entendida por refletivos) são obrigatórios pelo Código, mas capacete não:

Art. 105. São equipamentos obrigatórios dos veículos, entre outros a serem estabelecidos pelo CONTRAN:
(…)
VI – para as bicicletas, a campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo.

Obs.:O Projeto de Lei 2956/2004 pretende cancelar a obrigatoriedade do uso de “campainha” e espelho retrovisor, mas está em tramitação desde 2004. Em 2008, foi encaminhado ao Senado.

Os fabricantes e importadores são obrigados a fornecer as bicicletas com os equipamentos citados acima:

Do mesmo Art. 105:
§ 3º Os fabricantes, os importadores, os montadores, os encarroçadores de veículos e os revendedores devem comercializar os seus veículos com os equipamentos obrigatórios definidos neste artigo, e com os demais estabelecidos pelo CONTRAN.

Importadores e fabricantes de bicicletas são obrigados a fornecer um manual contendo mais ou menos tudo isso que está sendo dito aqui, além de instruções sobre direção defensiva e primeiros socorros:

Art. 338. As montadoras, encarroçadoras, os importadores e fabricantes, ao comerciarem veículos automotores de qualquer categoria e ciclos, são obrigados a fornecer, no ato da comercialização do respectivo veículo, manual contendo normas de circulação, infrações, penalidades, direção defensiva, primeiros socorros e Anexos do Código de Trânsito Brasileiro.

O Código permite aos Municípios registrarem e licenciarem as bicicletas, caso decidam fazê-lo:

Art. 129. O registro e o licenciamento dos veículos de propulsão humana, dos ciclomotores e dos veículos de tração animal obedecerão à regulamentação estabelecida em legislação municipal do domicílio ou residência de seus proprietários [importante frisar: do domicílio ou residência, isentando a bicicleta de registro e licenciamento quando o proprietário for de outra cidade].
[ver também Art.24, incisos XVII e XVIII e Art.141]

Deixar de andar com a bicicleta em fila única pela rua é infração média:

Art. 247. Deixar de conduzir pelo bordo da pista de rolamento, em fila única, os veículos de tração ou propulsão humana e os de tração animal, sempre que não houver acostamento ou faixa a eles destinados:
Infração – média;
Penalidade – multa.

Bicicleta na calçada ou pilotagem “agressiva” é motivo para multa e apreensão da bicicleta (mas só pode apreender se fornecer um recibo!):

Art. 255. Conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação desta, ou de forma agressiva, em desacordo com o disposto no parágrafo único do art. 59:
Infração – média;
Penalidade – multa;
Medida administrativa – remoção da bicicleta, mediante recibo para o pagamento da multa.

Acostamento é lugar de bicicleta SIM (por isso os carros não devem circular por ele):

ACOSTAMENTO – parte da via diferenciada da pista de rolamento destinada à parada ou estacionamento de veículos, em caso de emergência, e à circulação de pedestres e bicicletas, quando não houver local apropriado para esse fim.

Bicicletário é o nome oficial do “estacionamento de bicicletas”:

BICICLETÁRIO – local, na via ou fora dela, destinado ao estacionamento de bicicletas.

Fonte: http://vadebike.org/2004/08/o-que-o-codigo-de/