Conheça melhor a relação da sua bike e saiba como escolher, usar e manter o seu bom funcionamento

Eis aqui então um pequeno guia explicativo e algumas dicas de como escolher, usar e fazer a manutenção da relação da sua bicicleta.

Poucas pessoas dão importância para ela, mas a relação, também chamada de transmissão, é uma das partes, ou melhor, conjunto de partes de maior importância na bicicleta. Esse conjunto de peças é responsável por gerar o movimento da bicicleta, transmitindo a força produzida pelo ciclista nos pedais para a roda da bicicleta.

A boa manutenção desse conjunto, bem como a escolha adequada dos seus componentes, contribui para que a pedalada seja mais funcional, agradável e esteja de acordo com a atividade praticada e as características de cada ciclista.

Embora pouco conhecido e utilizado em bicicletas mais populares, modernamente, o emprego de materiais como alumínio, fibra de carbono e scandium, além do desenvolvimento de novos modelos e tecnologias mostra o quanto esta linha de produtos vem sendo alvo de investimentos e pesquisas por parte dos grandes fabricantes de componentes, como Shimano, Sram e Campagnolo, uma vez que, assim como um quadro de boa concepção, este conjunto de componentes deve ser ergonômico, livre de atritos, durável, leve e preciso.

A relação é composta, basicamente, de pedivela (peça que contém dois braços e um conjunto de discos, onde estão instalados os pedais), cassete ou roda livre (também chamado de catraca ou mais popularmente pinha, justamente porque seu conjunto de engrenagens dentadas alinhadas lembra uma pinha, fruto do pinheiro) e corrente (ou correia), esta que faz a relação ou transmissão do movimento do pedivela para o cassete.

Ainda temos outras figuras que merecem ser mencionadas. O movimento central (também chamado de "caixa de centro") é responsável por unir os dois lados do pedivela e fixá-lo ao quadro, enquanto chamamos de cubo a peça na qual o cassete ou roda livre são fixados (e onde os raios são presos).

ENTENDENDO A NOMENCLATURA E OS TIPOS DE COMPONENTES

Embora pareça que estamos falando de um conjunto de peças simples e de pouca relevância, enquanto olhamos para uma bicicleta como um todo, o conjunto de peças que compõe a relação é um dos mais importantes, seja pela aplicação diferenciada que pode ter, seja pelo material que é feito e pela tecnologia empregada.

TIPOS DE CASSETE

Quando você vai montar a relação da sua bicicleta ou vai fazer a sua troca, geralmente acaba trocando primeiro o cassete (ou roda livre) e a correia, que deve ser compatível com este. E aí te perguntam se é de rosca... Mas qual a diferença?A diferença está no tipo de cubo da sua bicicleta.

"Cubos cassete" são usados mais modernamente e possuem um encaixe, de modo que a "pinha" é também chamada de cassete vai encaixada neles. Neste formato, existe um sistema interno do cubo que permite que a roda se mova enquanto você não está pedalando, como por exemplo, em uma descida.

Já os cubos de rosca, têm uma rosca (bem visível), e por isso seu nome, sendo que a "pinha" ou roda livre é ligada a este por meio da rosca. Neste sistema, o mecanismo que permite que a bicicleta ande sem que se pedale fica na própria "pinha" e por isso, em alguns casos, ela também recebe o nome de "roda livre".

Os então chamados cassetes podem ter de cinco (como os da Caloi 10) a onze engrenagens (os mais modernos usados no ciclismo de estrada). Os tamanhos das engrenagens e suas combinações também variam bastante.

Quanto a essa combinação de tamanhos, veremos mais adiante.O uso dos materiais nesse tipo de componente também merece destaque, pois o tradicional aço foi dando lugar a ligas de materiais mais leves e resistentes, que mantém a durabilidade componente, permitindo que se empregue menos material em cada engrenagem, tornando o sistema mais leve e igualmente preciso. Já existem cassetes de scandium, extremamente leves, que embora menos duráveis, são recomendados para uso mais específico em competições, onde o peso do conjunto pode ser decisivo e a durabilidade nem sempre é o fator que mais importa.

PEDIVELAS




Os pedivelas possuem vários sistemas, no que tange sua montagem com relação ao movimento central. Os movimentos centrais mais simples são montados com caixas de esferas e um eixo que liga os dois braços do pedivela, sendo que nos modelos mais antigos, o pedivela e o eixo eram uma única peça, como uma manivela.

Mais modernamente, o eixo começou a ser montado separadamente, com ponta quadrada, e os braços do pedivela eram fixados por meio de parafusos. Surgiu o movimento central selado ou blindado, mas igualmente com ponta quadrada, que era montado de forma a exigir menos manutenção e ser mais durável, não permitindo, na maioria dos casos que fosse desmontado para troca de esferas ou rolamentos. Na utilização desse sistema, em alguns casos, com emprego de alumínio, titânio ou mesmo fibra de carbono, conseguiu-se maior confiabilidade, durabilidade e redução de peso neste tipo de componente.

Em uma geração posterior, o encaixe do eixo com o pedivela veio a abandonar a ponta quadrada e surgiu o sistema octalink, com encaixe com oito pontas, mais rígido e leve. Este sistema também teve algumas variações de modelos e medidas. A concepção dos movimentos centrais, no entanto, seguiu a mesma tendência dos de ponta quadrada.

A grande revolução, no entanto, foi a criação do sistema de pedivela integrado. A grande mudança deste sistema é que o movimento central, hoje comercializado junto com o pedivela, é desenvolvido especificamente para esta peça. Se observados lateralmente, parecem "ocos", sendo constituídos de dois colares de esferas que ficam nos extremos do eixo, bem próximos ao pedivela, ligados pelo eixo, similar a um tubo, que de fato é oco.

Este sistema adicionou maior rigidez ao conjunto e proporcionou substancial redução de peso, sendo que a manutenção também ficou facilitada pela simplicidade na montagem e desmontagem do sistema. O uso de materiais como alumínio, fibra de carbono e mais modernamente, o scandium também merece ser mencionado, pois o emprego destes materiais, além do tradicional aço (tanto no corpo da peça como em engrenagens) permitiu que se criassem componentes extremamente leves e com desenho e grafismos mais belos e em alguns casos, até bem futuristas.

As correntes também foram alvo de estudo, sendo que também empregam diversos materiais na sua concepção, além de tamanhos e medidas diferenciados, propiciando precisão, leveza e durabilidade.

Veja logo abaixo, então, quais os tipos de componentes mais usados e suas características e aplicações.

MOUNTAIN BIKE

Levam esse nome, em função do seu uso, ou seja, bicicletas de montanha. Na verdade, atualmente, são usadas para Down Hill (descida de montanha), Cross Country (terrenos acidentados), também delas derivam as bicicletas de passeio que são montadas para uso mais urbano e que costumeiramente vemos à venda na maioria das lojas.

CARACTERÍSTICAS DA RELAÇÃO

Por serem bicicletas destinadas tanto ao uso urbano como em terreno acidentado e íngreme, têm relações mais reduzidas, que priorizam mais a força que o desempenho. Os pedivelas têm braços mais longos, proporcionando maior alavanca, enquanto os discos são menores e os cassetes têm engrenagens maiores que os usados no ciclismo, justamente para que possam enfrentar os aclives mais íngremes, oferecendo mais conforto e opções de marchas.

Os grupos mais usados atualmente têm 27 marchas (três do pedivela e nove do cassete). Existem cassetes ainda de oito, sete e mesmo seis velocidades, sendo estes dois últimos usados em bicicletas mais simples.Em termos de relação de marchas, os pedivelas geralmente têm de 42 a 48 dentes no disco maior, 32 a 38 dentes no intermediário e 22 a 28 dentes no menor. Os cassetes variam de 11 a 14 dentes no menor e de 28 a 34 dentes no maior.

Os pedivelas mais usados atualmente no mountain bike têm 44 x 32 x 22 dentes (ordem dos discos do maior para o menor) e os cassetes, com Nove marchas, têm 11 x 34 dentes (forma que denomina a menor e a maior marcha). Saber esses tamanhos é importante na hora de ter uma referência de que produto comprar. No cassete de Nove velocidades, temos a menor engrenagem com 11 dentes, depois vêm 13, 15, 17 20, 23, 26, 30 e 34 dentes, finalmente (padrão Shimano), podendo essa medida variar de acordo com o fabricante.


Além do uso no mountain bike, esse tipo de relação também é recomendado para uso urbano ou cicloturismo (pode-se optar por 24 ou 21 marchas), considerando que é um conjunto que combina conforto, leveza na pedalada e também bom desempenho, disponibilizando marchas mais leves em conjunto com outras marchas que igualmente podem propiciar bom desempenho e velocidade.

Nas bicicletas urbanas mais simples, o padrão, aproximadamente, é pedivela 48 x 38 x 28, com cassete de 14 x 28 ou 30 dentes, em um conjunto com 18 ou 21 velocidades, dependendo do modelo.

CICLISMO DE ESTRADA (OU SPEED) E SEUS TIPOS DE RELAÇÃO

Neste segmento, o que importa é desempenho. São bicicletas que se destinam a quem gosta de velocidade e a sua concepção leva muito em conta que o ciclista que vai empurrar o conjunto tem um condicionamento melhor que um ciclista urbano. Por terem seu uso destinado ao asfalto, as relações são mais longas e não dispõe de discos reduzidos no pedivela e grandes engrenagens no cassete.

Um pedivela de speed tem, geralmente, dois discos apenas, com 52 ou 53 dentes no disco maior e 39 dentes no menor. O terceiro disco não é muito usado, embora disponível em alguns modelos. Recentemente, surgiu o conceito de pedivela compacto, com 50 x 36 (ou 34) dentes. Os tamanhos dos braços do pedivela variam de acordo com as medida do "cavalo" e altura do ciclista, ficando na faixa de 170 mm a 175 mm, os mais usados. Existem pedivelas com aplicação específica em contra-relógio, que podem ter braço maior, de 180 mm.

Os cassetes também têm relação diferente, podendo ter 11 ou 12 dentes na menor e a maior varia de 21 a 26 dentes, dependendo do modelo. Um cassete SRAM de 10 velocidades, por exemplo, têm 12 x 26 dentes (12-13-14-15-16-17-19-21-23-26), em média. Nos Shimano, essa medida pode ser diferente, com a últma sendo 25 ou 23 dentes. Isso varia em função da aplicação do componente. Cassetes com 21 ou 23 dentes na marcha maior não são muito recomendados para grandes escaladas.

Note que as marchas menores, a partir do 12, têm espaçamento de um em um (12, 13, 14, 15...). Isso permite que se evite aquilo que se chama "buracos" entre as marchas, coisa que no ciclismo de estrada, onde o uso de uma engrenagem na medida certa, dentro da cadência de pedalada, é fundamental para o bom rendimento da pedalada. Um intervalo de marcha errado pode fazer com que o ciclista perca o pelotão ou tenha seu desempenho prejudicado.

Já existem grupos com 11 velocidades, como é o caso dos Campagnolo, permitindo que assim, o ciclista tenha ainda mais uma opção de marchas. O espaçamento entre as engrenagens é algo que também deve ser observado. Uma vez que o número de marchas aumentou, a distância e mesmo a espessura das engrenagens e o material usado são diferentes. Logo, correntes para 9 e 10 velocidades são mais finas que as de 8, por exemplo, e estas são mais finas que as de 6 ou 7 velocidades. Os pedivelas também têm aplicação específica quanto ao número de marchas.

USANDO AS MARCHAS
A combinação dessas engrenagens vai determinar a relação entre a força que o ciclista precisa fazer e a velocidade que atinge. Quando mais pesada a marcha, maior a distância a ser percorrida com uma pedalada. Mas note que não é só isso que determina o desempenho, pois o tamanho do aro também é parte do cálculo, assim como o tamanho do pneu.

Quando você pedala, gira o pedivela, que faz o cassete girar um determinado número de vezes, que pode ser maior ou menor, dependendo do tamanho das engrenagens em uso naquele momento, tanto no pedivela, como no cassete. Quando o cassete gira, o aro (roda) gira de forma proporcional. Um aro maior vai percorrer um espaço maior e isso vai dar mais velocidade. O pneu, se for maior, permite que essa distância seja maior ainda.

Por isso, as speed's têm aros maiores e discos maiores no pedivela, além de engrenagens menores no cassete. O uso de um disco grande no pedivela, combinado com uma engrenagem muito pequena, vai fazer a roda rodar mais. Esta por sua vez, se for maior, vai percorrer um espaço maior. Claro, isso tudo pode tornar a pedalada mais pesada e mesmo inviável se for em uma subida, por exemplo. Para isso existem as marchas menores.

Em uma mountain bike, por exemplo, na marcha 22 (pedivela) por 34 (cassete), a sua cadência será alta, em uma relação menor que um para um (22 dividido por 32 = 0,647). Isso quer dizer que você vai ter que dar mais de uma volta com o pedivela para ter uma volta do cassete e conseqüentemente da roda. Essa marcha tem seu uso indicado para subidas extremamente íngremes. Já na marcha mais pesada (44 x 11), para cada volta do pedivela, o cassete e roda girarão quatro vezes.

Outros princípios da física também regem esse movimento todo, como o tamanho do braço do pedivela, anteriormente mencionado. Ele é uma alavanca que permite que se tenha mais torque na hora de girar o braço, que se bem observado, não deixa de ser uma alavanca. , Também o tamanho do aro tem grande influência, pois quanto maior for, mais distância percorrerá em uma única volta. Quanto maior a distância e a relação, mais pesada a pedalada.

Para calcular a velocidade provável que você atingira em uma bicicleta, considere o tamanho do aro (lembrando de medir o pneu), pois assim você saberá qual a distância percorrida pela sua bike a cada volta da roda e calcule esse número de voltas dividindo o número de dentes do pedivela pelo número de dentes do cassete. Considere também a sua cadência de pedalada.

Exemplo: Uma roda com perímetro de 2 metros (valor arbitrado), quando pedalada em uma relação 44 x 15 a 120 rpm (rotações do pedivela por minuto) percorrerá 11,73 metros por segundo, 704 metros por minuto e 42.240 metros por hora (42,24 km/hora). Sendo esta uma relação de MTB, considera-se que o ciclista está bem condicionado!

O atrito dos pneus também deve ser considerado e por isso, temos pneus mais grossos no MTB (mountain bike) e mais finos no ciclismo de estrada (onde quanto menos atrito melhor), além de uma porção de outras medidas, passando por slick (lisos) e mistos. A calibragem do pneu também interfere no atrito, além da posição do ciclista e da geometria da própria bicicleta, que podem tornar todo o movimento mais aerodinâmico. Devemos lembrar que não só no ciclismo, mas em todo o esporte e mesmo no automobilismo, desempenho e conforto, quando considerados em sua forma extrema, não combinam.

CÂMBIO CRUZADO

Um assunto interessante, que até então não falamos é o famoso câmbio cruzado ou relação cruzada. Todo o ciclista em algum momento ouve esta expressão. Os mais veteranos sabem bem do que se trata, mas quem é novato nem sempre entende a expressão, da mesma maneira que não entende aquele barulho estranho que ocorre quando usa determinadas marchas na sua bicicleta.

Mas o fato é que, mesmo comprando uma bicicleta com 27 marchas, ela não tem de fato as 27 marchas disponíveis. Isso porque a corrente nunca deve ficar atravessada ou torcida, em relação ao quadro. Ou seja, você nunca vai usar, por exemplo, a menor engrenagem do seu cassete com o menor disco do pedivela e nem o maior disco deste com a maior engrenagem do cassete.

Para manter a proporcionalidade da sua bicicleta, use sempre o disco maior do pedivela com as quatro engrenagens menores do cassete. Quando usar o pedivela no disco do meio, não use na engrenagem maior e menor do cassete e quando usar o disco pequeno, use apenas com as quatro engrenagens maiores do cassete. Assim, sua bike de 27 marchas terá em torno de 15 marchas úteis, de fato. E se você souber combinar, terá todas as mesmas opções de marchas que se usasse o câmbio cruzado, por exemplo.

Uma speed de 20 marchas (10 do cassete por duas do pedivela), a situação é a mesma. Embora o pedivela com um disco a menos apresente menos torção, é recomendável que não se usem as duas últimas engrenagens opostas do cassete, restando assim, 16 marchas úteis. Isso não quer dizer que se você em uma determinada situação fizer uso dessas marchas estará cometendo um pecado mortal, mas se isso for um hábito, tende a prejudicar o bom funcionamento da sua relação, além de encurtar a vida da corrente e engrenagens, além de forçar os câmbios da sua bicicleta, fora o funcionamento que pode não ser regular e fazer barulho.

Com a relação “atravessada”, a correia também tende a pegar no passador de marchas dianteiro, produzindo um ruído forte. O câmbio traseiro, dependendo da situação tende a trabalhar esticado demais ou mesmo solto, sem dar a devida pressão que a mola deve dar à corrente. Em competições, normalmente alguns atletas não se preocupam tanto com isso e acabam usando a relação atravessada, justamente para reduzir o número de trocas de marchas e ter reações mais rápidas diante de um ataque adversário ou uma fuga, mas esse tipo de condução mais “esportiva” acaba comprometendo a durabilidade e o bom funcionamento do conjunto quando incorporada à rotina de uso do equipamento.

INDEXADO, O QUE É?

Se você pegar um pedivela ou um cassete nas mãos e olhar a extremidade dos dentes das engrenagens, verá pequenas ranhuras e desenhos que dão a ela um formato não tão uniforme. O mesmo acontece com a corrente. Esse tipo de acabamento é chamado de indexado e um bom nível de acabamento do indexado corresponde a boas trocas de marchas, pois esse trabalho nas peças facilita na hora da troca das marchas, permitindo que a corrente se encaixem mais facilmente e troque de engrenagem com mais facilidade.

RAPID FIRE, STI, ERGOPOWER, DUAL CONTROL…

Esse é o nome que é dado aos trocadores de marchas nos sistemas mais avançados e depende muito do modelo e do fabricante. Os trocadores rapid-fire (fogo rápido) receberam esse nome por permitirem a troca correta de marchas com um único toque no trocador.

Trocadores com mais recursos permitem a troca de mais de uma marcha ao mesmo tempo, bastando pressionar mais o gatilho. O Dual Control é um sistema da Shimano que permite a troca de marchas direto na alavanca de freios, também conhecido como STI das MTB. Estes dois sistemas são usados nas mountain bikes.

Já nas speed’s o mais comum é o STI (Shimano) ou Ergopower (Campagnolo), que permitem as trocas de marchas integradas ao manete de freio ou alavancas próximas a este, permitindo que o ciclista troque de marchas e opere os freios em qualquer parte do guidão, inclusive em uma situação de sprint. Este tipo de componente vem sendo cada vez mais melhorado, tanto em termos de ergonomia, como precisão e leveza, sendo igualmente empregado o uso de materiais como fibra de carbono.

Além dos materiais e componentes de boa qualidade (pedivela, correia e cassete) e do uso de bons trocadores, recomenda-se o uso de bons câmbios e passadores para que a troca de marchas seja perfeita e fique dentro da expectativa de funcionamento do equipamento, além de cabos e conduítes de boa qualidade e que todo esse conjunto esteja regulado e librificado. Para isso, cada fabricante disponibiliza seus produtos em grupos específicos.

O QUE SÃO GRUPOS?




Todo o ciclista deve ter ouvido falar algum dia em montar a bike com um bom grupo. Se não ouviu, vai ouvir. O que são, afinal, esses grupos de peças? São componentes que são oferecidos pelos fabricantes seguindo uma hierarquia, que oferece mais recursos, precisão, leveza, maior número de marchas, materiais mais leves e nobres, melhor acabamento e inovações técnicas, sem contar no preço, que aumenta na proporção do que é oferecido.

Um grupo é composto, basicamente por trocadores, manetes, freios, cubos, pedivela e movimento central, corrente e cassete, além dos câmbios (passadores de marcha) dianteiro e traseiro. Grupos mais famosos disponibilizam também rodas e peças como canotes e pedais que acabam compondo todo o conjunto de componentes de montagem da bicicleta.

Fabricantes como Shimano, Sram e Campagnolo têm grupos de peças distintos. No caso da Shimano, os grupos de MTB começam no Sys (mais simples de todos), passam depois para Tourney, Altus, Acera, Alívio, Deore, Deore LX, Deore XT e XTR. Este último, é o top, mais sofisticado, considerado um dos melhores do mundo em termos de desempenho, durabilidade, leveza e acabamento. O preço depende, mas no Brasil pode ultrapassar R$ 4.000,00, dependendo dos compoentes e do ano de fabricação.

No mundo das speed’s, a Shimano tem o Sora (com 18 velocidades para 2009), Tiagra (18 velocidades), 105, Ultegra e Dura Ace (20 velocidades), sendo este último equivalente ao XTR e com preço proporcional, tendo ainda, mais recentemente, uma versão eletrônica que dispensa o uso de cabos. Esta, no entanto, ainda passa por fases de teste e tem sua aceitação muito questionada por vários segmentos do ciclismo profissional.

O uso de fibra de carbono e scandium também tem sido muito difundido nestes componetes, considerados top de linha.Outros fabricantes também têm grupos conceituados como os Sram X-0 para MTB, Sram Red (em carbono) para as speed’s e Campagnolo Super Record (inovador, com 11 velocidades).

Embora para os mais leigos, pagar valores elevados por peças top de linha não pareça ter muito fundamento, só depois de andar em uma bicicleta com componentes de melhor nível, entendemos as diferenças para os componentes que adquirimos ao comprar uma bicicleta popular, sendo que não precisamos comprar necessariamente o melhor equipamento disponível, pois existem grupos de peças intermediários, que embora não tão leves e com tantos recursos, oferecem ótima durabilidade e confiabilidade a preços razoáveis.

Na linha da Shimano, o grupo Deore é o grupo de entrada das bicicletas com 27 marchas e oferece a melhor relação custo/benefício dos componentes para Mountain Bike, equanto o grupo 105 é seu equivalente para as speed’s.

QUE TIPO DE RELAÇÃO DEVO PREFERIR PARA A MINHA BIKE?

Em primeiro lugar, você deve avaliar o que você busca no esporte. Em termos de conforto e funcionalidade, para bicicletas urbanas e de pesseio, prática de cicloturismo, ou mesmo provas mais iniciantes de MTB, grupos como o Acera e Alívio (24 marchas) ou Deore e (27 marchas) e similares do mesmo nível, de outros fabricantes, dão conta do recado, oferecendo uma relação leve o suficiente para subidas e situações mais extremas, bom desempenho quando o assunto for velocidade, peso razoável, boa durabilidade funcionalidade, além de baixa manutenção. Para isso, usam pedivelas com 42 ou 44 dentes na engrenagem maior e cassetes 11 x 32 ou 11 x 34 dentes, com ótimas opções de combinação de marchas.

As bikes mais populares, também chamadas "bikes e supermercado" usam pedivela com 48 dentes e cassetes (de rosca), normalmente com 14 x 28 dentes, mais destinados a um uso urbano moderado. Normalmente esses componentes quando expostos ao uso mais contínuo e severo tendem a sofrer desgaste maior e têm sua funcionalidade comprometida.

Se você pretende andar de speed, saiba que esta bike vai exigir mais de você, tanto na posição, mais aerodinâmica e menos confortável, bem como na “dureza” da bicicleta e no “peso” da relação. Por isso também o emprego de fibra de carbono nos quadros deste tipo de bicicleta. Como ela usa pneus com calibragem altíssima e não tem suspensão, normalmente o alumínio acaba absorvendo muito dessa vibração que é gerada ao rodar em certos pavimentos, que passa para as mãos do ciclista, principalmente, além do resto do corpo.

Com isso, foi incrementado o uso de garfo, guidão e avanço, além de traseiras de carbono (quando não o quadro todo), de modo a tornar o conjunto mais leve e “macio” ao rodar. As speed’s, com seus grandes pedivelas e cassetes com engrenagens pequenas não têm muitas opções para as subidas e exigem que você encontre uma marcha mais apropiada para girar. Usar a marcha mais pesada nem sempre é a melhor solução e por isso, espera-se que o ciclista que a conduz, se deseja mesmo ser veloz, deve estar com um bom condicionamento físico.

HÍBRIDAS


São bicicletas que juntam as características das speed’s e MTB. Podem usar os grandes pedivelas das speed’s, mas estes normalmente são triplos, usam cassete intermediário, com engrenagens maiores, mais parecidos com os das MTB, podem ter aro 700 (das speed’s), mas com pneus mais largos e usam guidão reto, mais comuns às MTB e tidos como mais confortáveis. São bicicletas para uso urbano e em estradas asfaltadas e primam pelo conforto do ciclista, aliado a um desempenho e desenho mais esportivos. São muito difundidas na Europa, onde são vistas como ótima opção para quem quer ter uma bicicleta confortável, funcional e leve que permita fazer pequenos e médios deslocamentos de forma rápida e segura.

DICA: A Rodociclo Bike Shop está trabalhando com várias marcas de Híbridas, como DiamondBack, Fuji e Specialized. Venha nos visitar e conheça nossos novos e exclusivos produtos!

MANUTENÇÃO DA RELAÇÃO

Começamos falando da relação, mas acabamos entrando em outros assuntos a ela relacionados. Agora, falaremos da manutenção da mesma.A relação é um conjunto mecânico de transmissão de força dos pedais para as rodas. Como todo o conjunto mecãnico, obedece regras básicas, como limpeza, lubrificação e regulagem, além de sofrer desgaste. Este último, é natural do uso e vai depender muito das condições de uso e conservação, além da qualidade dos materiais empregados.

Fora isso, a relação da bicicleta fica exposta ao tempo, poeira, fumaça, sugeiras em geral, terra, água, barro. Tudo depende do uso que é feito. O uso de um bom lubrificante é um fator preponderante para o bom funcionamento e durabilidade do conjunto de engrenagens e corrente, contribuindo também para trocas mais rápidas, precisas e um rodar mais macio e silencioso, reduzindo o atrito entre os componentes e protegendo a peça, mesmo em condições extremas, como chuva. Claro, depois que você pega chuva, recomenda-se fazer uma limpeza e nova lubrificação dos componentes.

Uma das melhores opções de lubrificantes disponível no mercado é o óleo Finish Line, que além de ter ótima qualidade, atua protegendo a relação, contribuindo para que permaneça limpa e lubrificada por mais tempo. O uso de um lubrificante de baixa qualidade tende a comprometer essas características e mesmo prejudicar o sistema, uma vez que um lubrificante não apropriado tende a agregar mais sujeira ao conjunto, (misturando-se com água, poeira, barro, etc.) e com isso, provocando o desgaste maior dos componentes. Não se recomenda o uso de graxa na relação (ou partes expostas), devendo esta ser empregada em peças e componentes internos que precisam de lubrificação e isolamento. O uso de um bom óleo e a limpeza periódica da relação resolvem esse problema. A aplicação do óleo e a sua periodicidade deve seguir as especificações do fabricante do mesmo.

Da mesma forma, a sua aplicação deve ser feita diretamente nos elos, uma gota por elo, sendo que o excesso deve ser removido com o auxíio de um pano seco e limpo, de preferência. Não lubrifique as engrenagens, pois a correia é que precisa estar luibrificada e a sua passagem pelas mesmas estando lubrificada já é suficiente.

Periodicamente, a relação deve ser substituída. A corrente é a parte que mais sofre com o desgaste, depois o cassete e o pedivela. Alguns ciclistas preferem fazer rodízio de correntes, que segundo eles, permite rodar mais tempo com o cassste, fazendo uso de até cinco correntes e revezando a troca das mesmas com no máximo 1.000 km. Com isso o cassete ultrapassa 12.000 km. Isso é recomendado quando se usa um cassete muito caro ou difícil de encontrar.

Recomenda-se usualmente trocar a corrente e o cassete, dependendo da quilometragem, tipo de uso e estado da relação, após uma determinada quantidade de quilômetros rodados (existem ferramentas que medem esse desgaste) e o pedivela quando apresentar desgaste das engrenagens, que nos modelos mais modernos, podem ser compradas separadamente. Isso varia muito, ficando na faixa de 7 a 8 mil km para cassete e corrente. Um bom pedivela pode rodar mais de 20.000 km. Já se soube de grupos como Dura Ace que rodaram mais de 20.000 km sem substituição de nenhum componente da relação!



LIMPEZA

A limpeza da relção é um processo relativamente simples, depois que se adquire alguma prática. Recomenda-se que não se deixe a sujeira tomar conta da relação para depois decidirmos limpá-la. Uma limpeza simples consiste em retirar o a sujeira e o óleo que ficam acumulados na relação, usando algum produto que seja indicado para a remoção de graxa/óleo ou mesmo querosene (preferida de muitos mecânicos), com a ajuda de uma escova pequena, preferencialmente.

O processo seguinte é o uso de água e sabão, lavando a corrente, o cassete e o pedivela para que essa sujeira e óleo sejam removidos. Isso pode exigir que se tire a roda traseira e também a corrente (caso não queira tirar, limpe-a com cuidado). Não use jatos de água, que pode entrar em partes mais sensíveis, como interior dos cubos e movimento central. Deve-se ter todo o cuidado para que não entre água ou qualquer outro produto no interior do cubo e outros componentes, o que poderia ser prejuducial, removendo a graxa responsável pela lubrificação interna dos mesmos.

Para secagem, recomenda-se deixar os mesmos ao ar livre (ou ao sol) para que toda a umidade seja removida e só então montar novamente o conjunto. Correntes com “power link”(um link que pode ser aberto mais facilmente, sem extrator) são bem úteis neste caso, permitem que elas sejam colocadas e removidas com mais facilidade. Caso contrário, use um extrator de corrente e tenha cuidado para não amassar ou entornar algum elo na montagem e demontagem. Uma vez limpa e seca, a relação deve ser montada e a lubrificação deve seguir os passos que descrevemos anteiormente.

Para limpezas e lubrificações mais detalhadas e criteriosas, é recomedável que você leve a sua bicicleta em uma oficina especializada, onde os mecânicos irão desmontar todo o conjunto e irão fazer a lubrificação e limpeza interna e externa de todas as partes, inclusive cubos e movimento central, verificar o estado dos cabos e conduítes e a regulagem dos câmbios e trocadores.

Recomenda-se a relização de uma limpeza mais completa periodicamente, dependendo da freqüência de uso ou sempre que a sua bike rodar sob chuva ou condiçoes severas de tempo.

Na Rodociclo Bike Shop você encontra alguns dos melhores componentes para a montagem da sua bicicleta, seja MTB, passeio ou para ciclismo de estrada. Dispomos ainda de uma oficina especializada e profissionais competentes que farão a limpeza, regulagem e lubrificação da sua bike sempre que preciso, oferecendo a você bons serviços, componentes de qualidade e ótimas condições de pagamento!

Equipe Rodociclo

Comentários

  1. Bacana esse artigo, bem detalhado e explicativo.
    Valeu pelas dicas!

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  2. Excelente artigo, muitissimo esclarecedor, sem ser técnico ao extremo! Muito bom para leigos como eu que estão entrando no mundo das bikes agora e querem saber mais antes de sair gastando uma fortuna em modelos inadequados. Parabens !

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  3. Artigo técnico, linguagem fácil, esclarecdor e imparcial. Muito bom , me ajudou muito.

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  4. Queria que alguem me ajudasse, tenho uma Caloi Andes 2010 , e o meu trocador não esta me satisfazendo, mais estou com duvidas de como retirá-lo , alguem poderia me ajudar? Me adicionem no msn romulo_mello14@hotmail.com

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  5. Rômulo, mandamos uma mensagem para você pelo nosso SAC sugerindo uma possível melhoria em alguns componentes da sua bike. Agradecemos seu comentário!

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  6. Muito bom essas dicas onde ajudou a indicar um melhor equipamento para meu perfil. Parabéns.
    allanbradesco@hotmail.com

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  7. Tenho uma Caloi 10 Sprint, sou novo no assunto, por favor, qual a melhor relação, entre, pedivela e cassete, gostaria de colocar um cassete, com o disco menor de 11 dentes, qual cassete de qual marca seria o mais indicado, para essa corrente KMC e o pedivela 52/39- meu - e-mail menezes988@hotmail.com, Obrigado, Geraldo

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  8. Amigos, PARABÉNS por esse post. Foi o mais completo, perfeito e esclarecedor que já li sobre relação de bicicletas. Bem concatenado e completo, e muito bem escrito. Se a loja de vocês seguir o mesmo padrão desse post, ela deve ser demais! Uma pena ser tão longe, senão, vocês teriam ganho de fato um cliente!!
    Um abraço à equipe!!!

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  9. Obrigado aos leitores pelos comentários e elogios, esperamos sempre auxiliar nosso leitor e buscamos excelência no nosso trabalho, sempre cientes que podemos melhorar a cada dia! Forte abraço e bons pedais!
    Equipe Rodociclo!

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  10. a, amigo. Uma dúvida. Tinha um par de rodas o de tinha cubos de menor qualidade, com eles possui bem menos velocidade q meus companheiros, a bike não desenvolvia bem, então compre novas rodas com cubos Nóvoa Deore SLX e ficou na mesma!!! Pode ser uma má montagem?

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  11. a, amigo. Uma dúvida. Tinha um par de rodas o de tinha cubos de menor qualidade, com eles possui bem menos velocidade q meus companheiros, a bike não desenvolvia bem, então compre novas rodas com cubos Nóvoa Deore SLX e ficou na mesma!!! Pode ser uma má montagem?

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  12. Prezado Dimas. Embora os cubos SLX tenha um ótimo desempenho e sejam mais leves e muito robustos, os mesmos são montados com sistemas de esferas, de forma semelhante aos Deore e linhas abaixo deste. Não acredito que a montagem seja problema, mas recomendo que leve a um mecânico de sua confiança e peça para revisar. Cubos com rolamentos, como os que são usados em rodas Mavic e V-zan giram melhor pois o sistema de rolamentos possui desempenho superior ao de esferas, embora por conceitos técnicos de torção lateral, não seja usado pela Shimano.

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  13. Muito boa matéria. Mas fiquei com uma questão, para quem faz estrada com muitas subidas íngremes, qual a melhor relação além da forma física ? Obrigado, MBraga

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  14. Prezado MBraga,

    Nos últimos anos, além dos novos grupos de MTB, existem linhas que oferecem relações compactas para speed com pedivelas 50x34 e cassetes de até 32 dentes, como é o caso do Sram Apex. Os grupos de MTB para 10 velocidades, além de pedivelas menores, oferecem relações com cassetes de até 36 dentes. Tudo depende da bike que você usa e do tipo de terreno que pedala. Forte abraço e bons pedais!

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  15. Ola amigo tenho uma duvida! estou usando um cassete Deore CS HG 61 12 /34
    e corrente HG 53 coloquei Tudo novo. Usei cerca de 5 vezes em trilhas e ao todo uns dois meses. POREM a minha corrente já sofreu um desgaste muito grande enquanto a catraca não apresenta nada de desgastes. virei a corrente e diminui o barulho. oque acha sera que o cassete é mais duro que a corrente, que corrente devo usar , e se eu trocar só a corrente agora o cassete aceita????

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  16. Prezado, a corrente é a peça que mais sofre desgaste no conjunto. Ela trabalha sempre, enquanto as engrenagens do cassete não, pois apenas uma está rodando e você faz uso de várias combinações. Mesmo em condições ideais de manutenção, a vida útil de uma corrente usada em trilhas deve oscilar entre 1.000 e 1.500 km. Recomendo medir a corrente (existem ferramentas para isso) e ver se o desgaste está dentro do padrão. Acredito que seu caso não deva ter excedido o limite. Recomendo verificar a fonte do ruído, pois não é normal. Manter os câmbios regulados e a relação limpa e lubrificada auxilia. Se a corrente são sofrer desgaste acima do necessário, você pode trocar a corrente sim, sem trocar o cassete.

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