Armstrong: O Dono do Tour

"O dono do Tour". Esse é o nome dado a Lance Armstrong pela edição da VO2 Especial Tour em uma de suas matérias, que foi referência para este texto. Nada mais justo atribuir esse nome a um ciclista que foi sete vezes consecutivas campeão da lendária prova e agora retorna em busca da sua oitava vitória, mesmo após ter se afastado do esporte por três anos e estando agora com 38 anos.

Armstrong, melhor que ninguém, sabe disso. Mesmo assim, ele foi o ciclista que conseguiu o que nenhum outro foi capaz de conseguir: tornou-se uma estrela, fez com que seu nome fosse referência do esporte mundial e trouxe o ciclismo para a mídia, tornando-o mais conhecido e popular do que nunca. Grande parte disso se deve ao seu retorno às competições, culminando com a vitória no Tour de 1999, após recuperar-se de um cãncer, sendo que para muitos então, caso sobrevivesse, o texano jamais teria condições de regressar ao mundo das competições.

Mas não foi isso que vimos, ja que no Prólogo do Tour daquele ano, que lhe renderia seu primeiro título, ele já deu amostras do que estaria por vir, vencendo a etapa e impondo ao mundo seu nome e seu novo estilo de pedalar, sempre girando em altas cadências, quando ninguém então o via como favorito. Desde então, as vitórias foram o consagrando ano após ano, revelando um ciclista completo, um grande escalador, excelente também em contra-relógios, aquele que ditou o compasso do Tour, fazendo com que seu nome passasse a fazer parte da história desta famosa prova e fosse quase que sua marca registrada. Não tem como falar no Tour sem associá-lo a Armstrong! Então, ainda no auge, depois da vitória em 2005, o grande campeão se retirou...

Este ano, Armstrong voltou novamente ao esporte. Sua bandeira foi a luta contra o câncer.Para quem acompanhou a vida do texano, hoje sócio da Sram (que fabrica componentes de ciclismo) e garoto propaganda de marcas famosas,não é difícil entender a sua volta, pois mesmo afastado das provas, ele nunca esteve afastado do esporte, mantendo-se em excelente forma física.

Sua volta ao esporte foi permeada de muitas dúvidas e especulações, ainda mais depois que o mesmo afirmou que participaria pela primeira vez do Giro D'Itália. Mas como nem tudo são flores, Armstrong teve que enfrentar as dificuldades internas da equipe Astana, que ia mal financeiramente e a divisão da liderança com Alberto Contador, um dos maiores nomes do ciclismo mundial atualmente, vencedor do Tour de 2007, além de ser mais jovem e também estar em grande forma.

Fora isso, um fato inesperado surpreendeu Armstrong: sua queda na volta de Castilha e León, com a consequente fratura da clavícula, que viria certamente a comprometer sua participação no Giro e mesmo levantar dúvidas se ele teria tempo de se preparar para o Tour."Isso nunca me aconteceu antes. Estou desapontado". Essa foi sua frase com relação ao seu acidente.

Mas, surpreendendo a todos, o que se viu foi uma rápida recuperação e Armstrong alinhando aos demais colegas de equipe na largando do Giro. Certamente, nas etapas mais decisivas, o acidente e a falta de tempo para se preparar acabaram pesando, mostrando que ele não estava na mesma forma de suas épocas áureas. No entanto, a classificação final, em 12º lugar também foi um reflexo do que se viu com o passar do tempo: um Armstrong ganhando forma e força ao longo de cada etapa, dentro das competições.

Analisando as provas que Armstrong correu e os seus resultados modestos em algumas delas, como o 125º lugar na Milão-São Remo, uma das clássicas que antecede as Grandes Voltas, o seu resultado no Giro e atualmente, seu desempenho no Tour, onde está à frente de Contador, tendo a Astana vencido o contra-relógio da última terça e estando ele em segundo lugar, a pouco menos de 2 centésimos de Cancelara, só nos resta ver seu desempenho nas montanhas, nesta sexta, com a chegada aos Pirineus, para sabermos se Armstrong realmente voltou com toda a força para ganhar mais este tour.

Independente disso, o retorno do heptacampeão às provas quando não tinha mais nada a provar, tendo saído do circuíto profissional em grande fase, já é um grande mérito, em uma carreira marcada por vitórias e superação, que não foi ofuscada nem pelos boatos da possibilidade de uso de dópping, nunca comprovados, ou tão pouco pelo câncer, que fez renascer um Lance Armstrong mais forte e renovado, cujo nome já faz parte da história do ciclismo como um dos maiores de todos os tempos.
Equipe Rodociclo

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