O titânio e seu emprego no ciclismo.

Logo que criamos este blog, falamos do Scandium, um dos materiais mais revolucionários, ainda mais quando empregado na construção de quadros e componentes para bicicletas, por ser um material que oferece rigidez e leveza a um custo razoável (ver arquivo deste blog de junho/2009).

Agora chegou a vez de falarmos de outro material, este por sua vez, não tão recente mas não menos notável: o titânio, um metal extremamente resistente à corrosão, com densidade em torno de 40% do aço, portanto muito leve, embora seja tão resistente quanto e embora pouco mais pesado que alumínio, pode ser duas vezes mais forte, além de ser muito resistente à fadiga.

Diferente do Scandium, que começou a ser usado recentemente, ele foi descoberto em 1791 e desde então tem sido amplamente utilizado em ligas com outros metais nas mais diversas áreas, como bicicletas, óculos, indústria bélica e nuclear, indústria naval e metalurgia em geral. O titânio já vem sendo empregado no ciclismo há algum tempo, considerando suas propriedades como rigidez, leveza, durabilidade e imunidade à oxidação.

Há quem diga que um quadro de titânio é eterno, ou quase isso, porém, sendo tantas as vantagens, por que não não vemos muitas bikes feitas com esse material rodando por aí? A primeira resposta é o custo. Um bom quadro de titânio custa caro, ou seja, dependendo do quadro, seu custo final acaba ficando acessível a poucos mortais. O outro motivo é que não é tão simples construir um quadro com esse material e pela sua construção ser complexa, torna-se um processo que exige o uso de bons materiais na sua fabricação, não bastando fazer uso apenas de um tubo de boa qualidade, mas também da tecnologia adequada, sendo assim um produto diferenciado e destina-se a um público específico.

As ligas mais utilizadas são 3al/2.5v e 6al/4v (os números indicam porcentagens de cada elemento na liga - "al" sendo alumínio e "v" vanádio). É um material extremamente leve e possui características semelhantes a do cromo, tendo grande capacidade de absorver vibrações, além de ser muito resistente à fadiga.

Fora os quadros, encontramos peças como movimentos centrais, suportes de caramanhola, blocagens e selins, entre outros, que usam esse material na sua construção, sendo normalmente peças caras e consideradas como top de linha. Um quadro de titânio muitas vezes pode ser visto como uma obra de arte, dada a dificuldade em se manusear o material e construir os quadros.

O peso de um bom quadro feito de titânio fica na faixa de 1,4 kg a 1,5 kg e o preço varia, iniciando a partir de R$ 2.500,00 (Brasil), chegando alguns modelos a ultrapassar os 3500 Euros.

Um dos maiores e mais tradicionais fabricantes de bicicletas de titânio é a Merlin (http://www.merlinbike.com/), empresa que produz quadros de ciclismo de estrada e mountain bike há mais de 25 anos. Alguns modelos da marca são considerados clássicos, seja pela qualidade empregada na construção dos quadros ou mesmo como o acabamento.

Este texto teve como base um artigo publicado no link:

Para os nossos leitores mais saudosistas, seguem abaixo algumas imagens de uma MTB Merlin de 1997, montada com grupo XTR (ainda de 8 velocidades) e rodas Mavic...


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