Conheça o perfil de quem faz o dia-a-dia da Rodociclo Bike Shop!











Decorridos quase dois meses da criação do Blog da Rodociclo Bike Shop, finalmente começamos a implementar um dos projetos que justamente foi uma das causas da criação do mesmo. Considerando que a maioria dos nossos colaboradores usa a bicicleta, seja no dia a dia, seja em competições e mesmo em desafios como o Audax e pedaladas de longa distância, começaremos a compartilhar um pouco desse dia-a-dia com nossos leitores.

No incício deste mês, começamos a registrar aqui no blog a quilometragem do pessoal aqui da loja. Esse "ranking" ainda não foi devidamente atualizado, mas aos poucos, semanalmente, estaremos registrando os quilômetros que o pessoal aqui da loja roda e com isso, também algumas de suas experiências. Para isso, começaremos a fazer uma série de matérias com todos os ciclistas da loja, contando um pouco da sua vida e o que fazem. E pensando em como começar esse trabalho, resolvi começar contando um pouco do que é o ciclismo para mim e um pouco do que tem sido esse esporte ao longo dos últimos anos na minha vida.

Poucos sabem, mas até os dezessete anos, nunca tinha tido uma bicicleta e não sabia andar. Minha primeira bike, uma "genérica" bem simples, dezoito marchas, veio como prêmio de um concurso de redações na época do segundo grau, quando ainda morava em Guaíba. Com o apoio de alguns amigos, aprendi a andar e assim e dava minhas voltas pela cidade.

Quando me mudei para Porto Alegre, em 1997, adquiri uma antiga Monark usada, por R$ 70,00 e com ela comecei a "desbravar" a cidade. Como tive de uma adolescência obesa, também desejava perder peso e este foi outro motivo para adquirir a bicicleta, considerando que eu havia tido uma lesão leve em um joelho tempos antes. Esta volta e meia me incomodava e logo, precisava fazer alguma atividade sem impacto.

No início, não usava qualquer equipamento de segurança, roupas apropriadas e sequer sabia consertar um pneu furado, sendo que seguidamente, interrompia minhas pedaladas, tradicionalmente entre o Morro Santana, onde morava, e a Redenção ou Ipanema, para pedir socorro a algum borracheiro de plantão.

Mais tarde, fiz uma upgrade na "magrela", mandei pintar, coloquei aros de alimúnio e peças novas. Na época, às vezes ainda eu andava na contra-mão ainda... No dia que peguei a bicicleta, (andando na contra-mão), fui colhido por um carro que saía de uma rua e não me viu. A bike ficou bem banificada e sofri escoriações leves. Depois disso, comprei um carro e uma moto e por dois anos, deixei a bike jogada no galpão.

Quando vendi o carro, mandei arrumar a bike e ela era minha compenheira de finais de semana, até que em 2002, acabei adquirindo uma Caloi T-Type usada. Com ela, comecei a andar mais, achava a bike ótima, comparada a antiga. Assim, fui a todos os passeios noturnos que podia ir. e andava finais de semana. Um belo dia conheci um senhor, já com uma certa idade chamado Eliseu que me convidou para ir a Itapuã e assim, me integrei a uma turma de veteranos que fazia esse trajeto, do centro até a Vila de Itapuã todos os domingos. Por quase um ano, regiamente, nos ligávamos no sábado e domingo saíamos cedo para almoçar e voltar, o que dava mais ou menos 140 km para mim.

Mais tarde, fui apresentado ao Carlos (conhecido por Alemão entre os amigos) e com ele, fiz minha primeira viagem, a Santo Antônio da Patrula e depois Três Coroas, onde rompemos os 200 km em um dia, ainda com a T-Type, que nessa fase começou a se desmanchar... Agradeço a esse amigo por muitas das coisas que aprendi com ele em relação ao ciclismo e pela paciência, logo que comecei a acompanhá-lo nos pedais mais longos, ainda sem muito ritmo.


Mais tarde, acabei adquirindo uma GT Karaloram que tenho até hoje, toda montada com peças Deore LX e com ela, fui aumentando as diatâncias que percorria. Juntamos uma turma de amigos e começamos a fazer cada vez trajetos mais longos e mais duros, onde acabamos conhecendo as estradas da serra e o desafio era fazer cada vez mais em apenas um dia.

Acabei participando de listas de ciclismo, como o Bike-RS e conheci amigos meio dessas listas, alguns em São Francisco de Paula, um dos meus roteiros favoritos, uma cidade com a qual vim a ter uma forte ligação, devido á beleza natural, simplicidade e grande contato com a natureza que proporciona. Entre os amigos que fiz na cidade, estavam Rodrigo Santos e Cleber, sendo que este último trabalha no Corpo de Bombeiros local. Lá também fiz muitos e bons amigos. Com o Rodrigo e o Cleber, fiz minha subida de serra à noite, no trecho entre Taquara e São Chico pela RS 020, roteiro que ainda faço sempre que posso.

Ainda em 2004 participei dos primeiros Audax 200km e 300 km (este último, um dos mais duros da história do Audax no RS). Mas como nem tudo são flores, também tive dois acidentes graves, um deles que me tirou a chance de embarcar com o pessoal que faria o Audax 400, em Campinas (ainda em 2004) e outro recentemente, em abril desse ano, que me resultou em uma clavícula quebrada, ambos decorrentes de atropelamento. Nos dois casos, o capacete salvou minha vida, mostrando o quanto seu uso é importante!

Desde então, tenho seguido com minhas pedaladas, algumas mais marcantes, como uma viagem que fiz pela Serra do Rio do Rastro e Florianópolis em 2005, além de outros desafios (Audax ) e viagens, a maioria aqui pela Serra.

Em 2007, voltei a reativar meu sonho de ter uma speed. Comprei aqui na Rodociclo uma GTS R3 e ainda reformei a minha GT e intensifiquei minhas pedaladas, com intenção de começar a participar de provas. No final do mesmo ano, tive meu primeiro pódio na estreante, na Volta das Hortênsias, uma prova de estrada que corta a serra gaúcha, passando por São Francisco de Paula e Gramado. Conquistei um ótimo quinto lugar que, considerando as muitas barreiras pessoais que tive que superar ao longo dos dez últimos anos e meu começo tardio no esporte, teve gosto de primeiro lugar.

Ainda depois disso, participei de mais algumas provas e tive apenas mais um pódio na Força Livre, também em quinto lugar. No início deste ano, com a intenção de participar novamente da Volta das Hortênsias, passei por uma das melhores fases para mim dentro do ciclismo, quando consegui atingir uma meta aproximada de 600 km por semana em treinos, partindo de uma alimentação mais regrada e hábitos quase que diários focados no esporte, o que me fez muito bem. Rodei muito, principalmente em estradas pela serra, onde o apoio do pessoal do Corpo de Bombeiros de São Francisco de Paula foi fundamental, fornecendo hospedagem para mim e amigos que me acompanharam nesse período. Dentre essas pedaladas, que serviam de treino, uma das mais marcantes foi a viagem que fiz com amigos entre a serra e o litoral, passando pela Rota do Sol, um giro que teve mais de 400 km feitos em dois dias e meio.

Já na prova, que ocorreu em março passado, sem carro de apoio, um pneu furado me fez abandonar o pelotão com apenas 8 km. Mesmo assim, foi um dos momentos mais emocionantes que já tive no ciclismo, tendo a oportunidade de largar em um pelotão com
168 ciclistas. É uma energia ótima! Os seis dias anteriores foram muito legais, onde eu e meus amigos Felipe (que correu pela primeira vez) e Eduardo passamos por todos os tipos de situações, e sediados em São Francisco de Paula, encaramos muita serra, neblina, chuva, noite e até mesmo trilhas.

Mesmo não tendo tido um bom resultado na prova, todo o investimento e a motivação me fizeram muito bem pessoalmente, mostrando que realmente, podemos encontrar um sentido nas coisas sem depender necessaramente de um objetivo fora delas. Isso mostra que a beleza muitas vezes não está na chegada em si, e sim no caminho que percorremos até ela.

Cerca de duas semanas depois, eu retornaria ao Rio do Rastro em uma viagem de um dia que ocorreu na véspera do meu atropelamento. Minha recuperação se deu de forma bastante rápida, e em menos de um mês voltei aos pedais e desde então, com um ritmo de trabalho maior, tenho rodado em média de 250 km por semana, geralmente pela cidade, uma vez que o clima não tem ajudado muito nos finais de semana. Diariamente, rodo em média de 45 a 80 km (dependendo se for dia de treino), me deslocando entre dois trabalhos, um deles aqui na Rodociclo, encarando o complicado trânsito da manhã e do meio da tarde, que só dá tréguas à noite, quando podemos rodar mais sossegados.

Entre uma das atividades que participo atualmente que mais gosto, é o passeio da loja, que tenho ajudado a organizar e espero que possamos melhorá-lo ao longo do tempo e ao qual todos os ciclistas que desejarem participar sempre serão bem vindos. E para mim, que trabalho há anos em um trabalho burocrático, meu novo trabalho, desta vez focado no mundo das bikes te bem mais dinâmico tem sido muito gratificante e tem me propiciado muitos e bons aprendizados, considerando o ótimo ambiente de trabalho que temos aqui na loja, sem contar que aqui tenho muitos amigos, conhecidos de tempos e colegas de treino, como o Maurício, que tem me dado ótimas dicas e serve de exemplo, em termos de dedicação e humildade e também pelo potencial que tem enquanto profissional e ciclista.

E é isso que vemos aqui, pessoas envolvidas com o ciclismo, e mais que envolvidas, são comprometidas e apaixonadas por esse esporte. No meu caso, que mais que um esporte, o ciclismo representou uma mudança geral de pensamento e estilo de vida. E uma mudança para melhor!





Perfil:

Nome: Rodrigo Hart Fagundes

Idade: 31 anos.

Área de atuação: Contabilidade, informática e vendas.

Tempo de ciclismo: Aproximadamente 10 anos.

Bicicletas: MTB GT Karakoram (LX/XT) e GTS R3 (Shimano Sora)

Modalidades: Ciclismo de estrada/Cicloturismo/Ciclismo de Longa Distância.

Melhor lugar para pedalar: Serra gaúcha.

Lugar inesquecível: Serra do Rio do Rastro

Ídolo no Esporte: Lance Armstrong, um exemplo por sua reconhecida luta e superação pessoal no esporte e na vida.

Home Page: www.inema.com.br/rodrigohart

Equipe Rodociclo

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