Aconteceu: Giro ciclístico pelo litoral



Com chegada dos dias mais longos, aproveitando o bom tempo que marcou os últimos dias do mês de agosto e início de setembro, que viria a ser um dos meses mais chuvosos do ano, me juntei a uma turma de oito amigos, entre eles, Felipe, Rossano, Xandi e mais alguns ciclistas que moram no litoral e saímos cedo, por volta de 06:00 da manhã do domingo de 30 de agosto, tendo pela frente a polêmica Free Way e como destino o litoral gaúcho, mais precisamente Osório.

O grupo era composto na maior parte por speed's e apenas uma mountain bike integrava o pelotão. Alguns ciclistas iriam até Glorinha, eu eu o Felipe pretendíamos ir até Osório e os demais seguiriam até Capão da Canoa, seu destino final.

O trajeto que fizemos nesse dia pode ser dito como polêmico, pois com a chegada do verão muitos ciclistas se deslocam para o litoral, tendo como opção a estreita RS 040, que liga Porto Alegre a Viamão, passando por Pinhal ou então a Free Way, tida como uma estrada com mais espaço e estrutura para quem quer rodar mais rápido e mesmo chegar mais cedo, dependendo do destino.

Mas quem opta por esse segundo trajeto acaba por esbarrar na proibição do uso da via para o trânsito de bicicletas, fator que pode comprometer a viagem, uma vez que tal proibição nunca foi efetivamente regulamentada ou cumprida, acabando por resumir-se a ocorrências com caráter diverso, passando por relatos de pessoas que tiveram que deixar a estrada, ingressando na "Estrada Velha" (RS 030) ou mesmo tiveram as bicicletas apreendidas.

Assim sendo, resolvemos começar a temporada "tirando uma febre" sobre como seria pedalar na Free Way, pois temos relatos de pessoas que a usam quase que diariamente, considerando que estamos em uma época de baixo movimento e a estrada estaria bem mais calma.
Logo que entramos na estrada, o ritmo foi ficando forte. Chegamos a estar com uma média na faixa dos 32 km/h e em muitos trechos andávamos acima dos 40 km. Nosso maior inconveniente, no entanto, foram os pneus furados. Creio que mais de cinco. Mas a nossa maior dúvida era se ainda seríamos ou não barrados.



Ano passado, tive três passagens pela Free Way. Uma sozinho, quando em um domingo à tarde, fui para o litoral, contrariando o forte movimento de carros que retornava. Fora o vento, foi um dos pedais mais tranquilos que fiz pela estrada e em momento algum tive qualquer inconveniente, seja pelo trânsito ou pela fiscalização da estrada, os quais fiz questão de cumprimentar em cada passagem. Já nas outras vezes, retornei com amigos pela estrada e igualmente, não tivemos qualquer problema.

Desta última vez, não tivemos a mesma sorte. Faltando apenas cinco quilômetros para chegarmos a Osório, fomos abordados por uma viatura da PRF, que nos mandou atravessar a pista e rodar na contra-mão, sob alegação que "veríamos os veículos que viriam em sentido contrário".

Pedi ao pessoal que tentasse não argumentar muito com o patrulheiro, ciente da regulamentação do código de trânsito e do risco que incorria ao atravessar a pista e ser colhido por algum veículo ou mesmo ser atropelado andando na contra-mão e assim, mantive meu sentido. Quando olhei para trás, notei que meus colegas haviam atravessado e seguiam pela contra-mão.

Infelizmente, o policial que nos orientou a circular na pista contrária desconhecia o código de trânsito, cuja texto diz o seguinte, no seu artigo 58:

Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

Parágrafo único. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.

E pelo que sabemos, não tem ciclofaixa ali... E é contraditório que uma das estradas co melhor acostamento e estrutura não permita (ou regulamente) o seu uso por bicicletas, embora saibamos que próximo a cidades como Cachoeirinha e Gravataí seja comum o seu uso por muitos ciclistas, alguns deles com bicicletas em péssimas condições e sem a menor sinalização, o que não era nosso caso.

Mas no fim, como faltavam poucos quilômetros, nos reagrupamos no final da estrada e então eu e o Felipe nos despedimos do pessoal e acabamos indo almoçar no centro de Osório. A nossa volta foi pela RST 101, que liga Osório a Capivari, uma estrada com quase 40 km, cujo asfalto é muito bom e o movimento é muito baixo, mesmo em épocas deveraneio. Seu início em Osório passa pelo Parque Eólico, que é um espetáculo à parte.
Já na RS 040, o retorno se deu de forma tranquila, embora o movimento fosse fincando intenso com o cair da tarde e começássemos a sentir o cansaço. Perto de Viamão, após o pedágio, as obras de alargamento da estrada deram maior fluidez ao trânsito, mas complicaram a vida de quem precisa passar ali de bicicleta (consideremos também os moradores locais e pessoas que necessitam se deslocar por ali). A velocidade do trânsito é alta e não há o menor acostamento em muitos trechos, onde somos obrigados a pedalar junto com os carros e caminhões.

Mesmo assim, tudo correu de forma muito tranquila e na volta, nenhum pneu furado. Terminamos o dia com 220 km rodados e média de 28 km/h

Por Rodrigo Hart Fagundes

Equipe Rodociclo

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