Aconteceu - Pedalando por São Francisco de Paula/RS


Mesmo com a época chuvosa de setembro, o feriado do dia 07/09 rendeu uma boa história para contar. O roteiro é um dos meus favoritos, São Francisco de Paula, cidade que tenho muito apreço e na qual tenho alguns amigos que seguidamente gosto de rever, sempre aproveitando a ocasião para fazer um pedal mais puxado.

Pretendia sair de Porto Alegre cedo, no domingo anterior ao feriado, mas acabei atrasando minha saída para o início da tarde e assim, pude almoçar em casa e dar uma boa descansada. O roteiro de ida foi BR 116/RS239/RS 020. Esta última, ainda em fase de obras, depois de um inverno rigoroso, teve queda de barreiras e estava com o asfalto muito danificado, especialmente no sentido de quem desce. Como eu pretendia subir, não haveriam maiores problemas.

Levando pouca bagagem (na verdade, apenas uma muda de roupa no bolso da camisa de ciclismo, um manguito, ferramentas e pertences em uma pochete e dois faróis), optei pela speed. O vento no sentido Novo Hamburgo Taquara foi impiedoso, ao longo de quase 40 km.
Uma vez em Taquara, pausa de meia hora apenas para lanche e segui em frente. O cair da tarde já se fazia sentir quando comecei a subir os 40 km que faltavam para meu destino final. O trecho é cheio de subidas, algumas mais leves, outras mais íngremes e no final, tem 5 km mais fortes que exigem algum preparo. Sabia que pelo menos metade da escalada seria feita à noite e por isso, o uso dos faróis.

Conforme planejado, na altura de Três Coroas, escureceu. Pouco antes, ainda tive a chance de ver as luzes de Igrejinha acendendo no cair da tarde e o sol que ia se pondo ao longe no horizonte, atrás de muitas nuvens. A previsão era de chuva para o dia seguinte, mas só à tarde. Eu pretendia voltar cedo, ainda pela manhã...


Um dos trechos mais tranqüilos para se pedalar à noite, a RS 020 entre Taquara e São Francisco de Paula é mais que um desafio físico, é psicológico. O trânsito é quase sempre muito baixo e em muitos momentos, pedala-se no silêncio da noite, envolto em verdadeiros túneis verdes, cercados por paredões de rochas de um lado e ao longe, do outro, vemos apenas luzes distantes. O som é apenas o ruído dos insetos e alguns animais noturnos e pode-se ouvir claramente o ruído dos pneus e da transmissão da bicicleta. Eventualmente, se atravessa algum vilarejo iluminado e logo depois, mergulha-se no breu, rompido apenas pela luz dos faróis.

Na subida, quase chegando na cidade, fiquei um tempo na estrada com um casal que teve problemas mecânicos e aguardava socorro. Recomendei que ficassem dentro do carro, que estava fora da estrada e mantivessem os piscas ligados, uma vez que a estrada é estreita e sinuosa.

Minha chegada se deu por volta de 20:30. Meu destino era o Corpo de Bombeiros local, uma casa com estrutura de cozinha e alojamento, onde eu e meus amigos e parceiros de pedal sempre fomos muito bem recebido em outras ocasiões, fosse a passeio ou para participar de alguma prova na região, como foi o caso da última Volta das Hortênsias, em março passado, (quando batemos as fotos abaixo). Depois do banho, fui ao centro jantar (uma ala minuta) e depois dela, repouso...





FOTOS DA VOLTA DAS HORTÊNSIAS - mar/2009


Na manhã seguinte, o tempo ameaçou chover logo cedo, mas abriu. Me despedi do pessoal e fui visitar outro velho amigo que hoje mora na cidade e que acabei encontrando já pelo caminho, fazendo as compras para preparar um churrasco. Antes, tomei café pelo centro mesmo. Por ser uma cidade pequena, as pessoas encontram-se muito facilmente pelas ruas.


Com isso, acabei atrasando minha saída para o inicio da tarde, porém, como o tempo foi fechando, acabei agradecendo o convite para o churrasco e deixei a cidade antes do meio dia, tentando fugir da chuva nas partes altas da serra, onde os pneus finos e a falta de freios poderiam vir complicar as coisas nas partes mais sinuosas da serra.

Casualmente, no exato ponto que eu e mais dois amigos nos abrigamos da chuva em março passado, esta veio novamente e fui obrigado a parar, pois veio acompanhada de vento, muitos raios e granizo, mas durou pouco e cerca de meia hora depois, o asfalto começava a secar.


Passei novamente em Taquara, e fiz um lanche apenas, em uma padaria que já sou freguês e segui pela RS 239. Em Sapiranga, mais chuva e parei para tomar um suco. Em Campo Bom, asfalto seco. Pensei em vir pedalando até Porto Alegre, mas o trem foi a decisão mais acertada, pois voltou a chover quando já havia embarcado.

Uma vez aqui, o tempo foi generoso comigo e consegui chegar em casa seco, mas depois, choveu forte novamente... Foram 248 km em dois dias e o cansaço não me deu ânimo de cozinhar. Terminei a noite jantando no Bourbon Ipiranga, perto da minha casa, mas com a fome que estava, tendo passado o dia sem uma boa refeição, foi a melhor opção. Um bufet livre, claro!

E caso o bom tempo se confirme para o feriado do próximo final de semana, vamos ter mais histórias para contar... Aguardem!

Fotos e texto por Rodrigo Hart Fagundes
Equipe Rodociclo

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