Já pensou em ir de bike????


Esta postagem tem um objetivo: expor a prática do uso da bicicleta como meio de transporte. E para tanto, nada melhor que usar uma abordagem bem prática e cotidiana. No meu caso, estou morando em Canoas há aproximadamente um ano. Da minha casa até meu local de trabalho, são aproximadamente 13 km. Entro às 09 horas e saio às 19 horas. Neste período mais recente, fiz uso de três meios de transporte e aqui vai a comparação dos três, inseridos no meu cotidiano:

Carro: É prático e funcional. Por ser um utilitário, levo comigo a bike sem problemas. Por ser um carro econômico, faz cerca de 16 km por litro. Com ele, se tudo correr bem, posso sair de casa por volta de 08:15. Saio pelo acesso do bairro Rio Branco, um dos tradicionais pontos de congestionamento, pois muitos veículos acessam a Guilherme Shell por ali, assim como também deixam o bairro.


Pela manhã, o fluxo de carros é intenso, proporcionalmente inverso à paciência dos motoristas, um tanto escassa. Na maioria das ruas da avenida Mauá, a preferencial não existe. Muitos ciclistas na contramão e pedestres que atravessam em meio a carros. Existe um risco maior de me envolver em acidente. Junto ao viaduto de acesso, um ponto forte de congestionamentos, que se estende até a ponte do Rio Gravataí. Ali, para fazer 1 km, perco sempre 10 minutos, se tudo correr bem. São 08:30.

Logo acesso a Free Way, onde são mais 5 km até a Assis Brasil, feitos em 05 minutos. Isso aumenta meu trajeto em 3 km, mas evita que eu passe pelo Aeroporto, onde todos os dias, é congestionado e perderia mais 10 minutos e gastaria bem mais combustível. Meu outro ponto de congestionamento é na saída das Free Way para a Assis Brasil. São 08:40.

Depois da FIERGS, flui. Quando congestiona, faço "atalhos" por dentro do bairro Sarandi. Chego na loja 08:50. Se der algum acidente em algum desses pontos, chego atrasado ao meu destino. Custo estimado: R$ 3,50 (considerando que fico um bom tempo no pára e arranca em pontos congestionados).


Saio da loja 19:00. Hora de treinar. Vou de carro até a Usina do Gasômetro. São mais 13 km, geralmente, com trânsito fluindo. Lá, rodo cerca de 30 km, e retorno ao carro, que fica estacionado e sigo para Canoas, via Castelo Branco, com trânsito fluindo bem. Cerca de 15 km rodados. No final do dia, contabilizei um custo estimado de R$ 10,00 (fora a manutenção), além do risco de acidentes ou de ter o carro riscado ou arrombado, quando fica estacionado na rua.

Trem e ônibus: Saio de casa por volta de 07:55. Caminho 10 minutos até o trem, que pego por volta de 08:15. São 10 minutos até a estação Farrapos e mais 5 minutos a pé, até o terminal de ônibus da Sertório. Cerca de 10 minutos para pegar o ônibus, mais 10 dentro dele. São 08:50. Chego na loja 08:55, com o custo de R$ 1,70 do trem e mais 2,70 da passagem. A volta é a mesma rotina e tempo. Balanço do dia: Tenho a vantagem de ter o menor risco de acidentes e danos pessoais, mas peguei 2 ônibus e 2 trens relativamente cheios, fora o stress dos horários de pico, acordei meia hora mais cedo, não fiz nenhum exercício físico (fora a caminhada, que nem dá para aquecer) e ainda paguei R$ 8,80 por isso.


Bicicleta: Saio de casa 08:20. No período de um ano, poucas vezes choveu nos horários que saio e chego. O deslocamento é rápido. Um pouco de cautela em pontos congestionados. O uso de fita anti-furo e manutenção em dia renderam suas vantagens. Nenhum pneu furado ou problema mecânico!

Na saída de Canoas e no Aeroporto, mais cautela, mas consigo passar em meio aos carros parados. Entro na Sertório 08:35/08:40. São 10 minutos pela avenida para chegar ao meu destino às 08:45/08:50. A média horária final é de 26 a 28 km/h.

Às 19:00, saio do trabalho com meu colega e rodamos até o Gasômetro, para os mesmos 30 km de treino, para o qual eu chego aquecido, após 13 km de deslocamento e conversa. Para voltar à Canoas, por questão de segurança, pego o trem (depois das 21:00, quando é permitido o embarque de bicicleta).


Existe o risco de acidentes, como todo o meio de transporte, mas bem menor que de moto, por exemplo! No meu caso, a velocidade é bem menor... O cuidado e a cautela são fundamentais, assim como o respeito às leis e sinais de trânsito. Não disputo preferenciais e nem espaço. Uso roupas claras e equipamentos de proteção, como óculos, capacete e roupas apropriadas. Nos últimos 2 anos, não tive nehuma queda ou acidente.

No final do dia, rodei pelo menos 55 km de bicicleta e meu custo foi de R$ 1,70 (passagem do trem). Gasto em média uma corrente e cassete e um jogo de pneus a cada três meses (cerca de R$200,00). Isso dá um custo diário com deslocamento de R$ 4,40 (considerando os dias úteis de trabalho). Soma-se ao fato que uso a bike final de semana em treinos e provas, rodando cerca de 1.500 km por mês.

Com esse comparativo, não esperamos que você rode uma alta quilometragem por mês ou seja um atleta, mas que, como muitos de nossos clientes e mesmo nós, como funcionários da Rodociclo, use a bicicleta no dia-a-dia como puder. Esperamos que você pense um pouco mais na sua rotina diária. Muitas pessoas têm locais de trabalho que não permitiriam o uso da bicicleta, ou precisam do carro para se deslocar com seus familiares, enfim, uma infinidade de possibilidades, que justificam a rotina.

Mas também queremos que você questione, pondere e critique a rotina engessada que vivemos, como máquinas dependentes comodismo e do óbvio. Mas muitas pessoas, como eu, andam sozinhas nos seus carros e certamente conseguiriam encaixar o uso da bike no seu dia a dia, em pequenas atividades, evitando gastos com transportes (seja pelo preço da gasolina ou do transporte coletivo, que anda bem caro!) e fazendo um exercício físico, que por menor que seja, sempre ajuda!

Muitas pessoas reclamam do transporte coletivo, que de fato é stressante e caro. Reclamam do custo dos combustíveis e das horas perdidas em congestionamentos. Só que a falsa sensação de segurança que temos andando de carro ou ônibus também tem suas desvantagens. Nossa saúde paga o preço dos nossos hábitos. Muitas pessoas alegam a falta de segurança nas ruas para andar de bicicleta. Mas tudo que vem do poder público nasce de uma demanda. Quando mais pessoas (eleitores) andarem pelas ruas e exigirem condições, teremos como cobrar do governo melhorias. Para isso, temos que começar em algum lugar. Pense melhor, comece por você!


Equipe Rodociclo

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