Tour de France 2013: Froome entra para a história e leva o título dos cem anos do Tour.




Neste domingo, encerrou-se o Tour de France 2013, que na sua centésima edição, mais uma vez, contou com a presença de alguns dos melhores ciclistas do mundo. Foram percorridos mais de 3.400 km e vencidas algumas das mais duras montanhas do mundo, para ao final de 21 etapas, mostrar quem seria o dono da Camisa Amarela ou Maillot Jaune, entregue a quem conseguisse vencer esse trajeto no menor tempo.


















E na edição de cem anos do Tour, o dono dessa camisa é Christopher Froome, um queniano que aos 28 anos, compete desde 2007 como profissional. Com seus 1,86 e 69 kg, tem como ponto forte o contra-relógio e nos últimos anos vem mostrando grande desenvoltura nas montanhas. Desde 2010 veste a camisa da equipe Sky, no ano passado foi gregário do vencedor Bradley Wiggins e ainda ficou com o vice-campeonato. Nesta e muitas outras ocasiões, mostrou que tinha muito mais potencial e talento, não apenas para integrar uma equipe, mas para liderá-la. E neste ano, não deu outra, sagrou-se vencedor!


Seguindo o retrospecto da carreira de Froome, foi uma vitória merecida, digna de quem construiu sua carreira em cima de muito trabalho, treino, disciplina e perseverança. Cinco anos depois de ser 84º colocado, em 2008, ele vestiu a camisa amarela na oitava etapa e a conduziu até Paris, impôs moral, venceu  três etapas, entre elas a que subiu o lendário Mont Ventoux e deu a Sky o segundo título consecutivo. Sempre defendendo a bandeira de ser um atleta limpo, Froome vem juntar-se a uma geração de atletas que promete limpar o nome do esporte, tão manchado no passado por escândalos e dopping.

Com a segunda colocação, ficou o colombiano Nairo Quintana, que venceu a 20ª etapa, sendo um dos grandes destaques deste Tour,  já que este ano, sua equipe Movistar fez uma grande campanha e, se não fosse um atraso na troca de uma roda, teria colocado Valverde entre os primeiros. Mas em meio a tudo isso, brilhou a estrela de Quintana, que ainda ficou com a camisa branca (melhor novato) e com a camisa de bolas vermelhas (Rei da Montanha). 



O terceiro lugar ficou nas mãos de um atleta que vem crescendo ano após ano. Joaquin Rodriguez ano passado deu muito trabalho a Alberto Contador na Vuelta e este ano preparou-se especialmente para a prova. Com ótimas qualidades na montanha, melhorou seu contra-relógio e permaneceu durante toda a prova em posições discretas, sendo que conquistou seus melhores resultados a partir da 15ª etapa. O segundo lugar da 20ª etapa foi preponderante para que ele ultrapassasse seu compatriota, o espanhol Alberto Contador, na classificação geral.




Já Alberto Contador, que ficou com a quarta colocação, de certa forma, acabou decepcionando seus fãs, e a si mesmo, uma vez que era grande a expectativa com relação ao seu confronto com Froome, outro favorito, que acabou se confirmando campeão. Na verdade, estes eram de fato os dois únicos favoritos, em meio a vários nomes com potencial para vencer. Mas ao contrário de Froome, que sempre foi discreto, o espanhol disparou várias frases onde desafiava os demais ciclistas e dizia estar correndo em um percurso favorável a sua vitória.

O atleta declarou que não deve disputar a Volta da Espanha deste ano, prova da qual é o atual campeão, dedicando o resto do ano a seus treinos com o intuito de começar a próxima temporada melhor. Talvez seja esta a oportunidade de contador rever alguns pontos de sua carreira, pois é um grande atleta, embora já não exista mais aquele antigo mito de invencibilidade que se criou em função do alto desempenho e das várias vitórias conquistadas em temporadas anteriores. Contador, no entanto, ainda é jovem e tem  muito a oferecer para o esporte e deve ainda conquistar muitas vitórias para a Espanha no ciclismo.

Mas de fato, se observarmos esta e outras grandes provas, veremos que as gerações de grandes atletas estão se renovando a cada ano e os favoritos e invencíveis estão encontrando adversários a altura, o que torna o esporte mais rico e também mais emocionante, atraindo mais a atenção do público, que está cansado de ver "super atletas" invencíveis, muitos dos quais acabaram tendo seu nome manchado pelo dopping.



Dentro dessa nova geração, merecem destaque Peter Sagan e Marcel Kittel.  Primeiro venceu apenas uma etapa, mas em outras cinco ocasiões, esteve entre os três primeiros e faturou a Camisa Verde (pontos) e o segundo venceu nada menos que quatro etapas, incluindo a última, em Paris, confirmando sua grande fase e quebrando uma hegemonia que vinha sendo imposta por Mark Cavendish (venceu duas etapas e foi terceiro em Paris), que também brilhou este ano, mas teve que dividir a glória com outros atletas.



O brasileiro Murilo Fischer também teve seu momento de glória. Disputou o sprint em Paris e chegou em 10º lugar, sua melhor colocação neste tour. Na geral, Murilo ficou em 133º lugar.

Entre as equipes, se Contador sentiu-se frustrado por não ter vencido e sequer conquistado um top 3, sua equipe ficou com o título de melhor equipe do Tour, mostrando que a Saxo Tinkokk possui um ótimo time (Roman Kreuziger ficou em quinto na geral, abaixo de Contador).


OS CINCO PRIMEIROS DA 21ª ETAPA
1 – Marcel Kittel (Ale) Argos-Shimano 03:06:14
2 – André Greipel (Ale) Lotto Belisol m.t.
3 – Mark Cavendish (GBR) Omega Pharma-QuickStep m.t.
4 – Peter Sagan (Esl) Cannondale Pro Cycling m.t.
5 – Roberto Ferrari (Ita) Lampre-Merida m.t.

OS DEZ PRIMEIROS DA CLASSIFICAÇÃO GERAL
1 – Christopher Froome (GBR) Sky Procycling 83:56:40
2 – Nairo Quintana Alexander Rojas (Col) Movistar 00:04:20
3 – Joaquim Rodriguez Oliver (Esp) Katusha 00:05:04
4 – Alberto Contador Velasco (Esp) Saxo-Tinkoff 00:06:27
5 – Roman Kreuziger (Tche) Saxo-Tinkoff 00:07:27
6 – Bauke Mollema (Hol) Belkin Pro Cycling Team 00:11:42
7 – Jakob Fuglsang (Din) Astana Pro Team 00:12:17
8 – Alejandro Valverde Belmonte (Esp) Movistar 00:15:26
9 – Daniel Navarro Garcia (Esp) Cofidis 00:15:52
10 – Andrew Talansky (EUA) Garmin-Sharp 00:17:39

Parabéns a Froome pela sua brilhante vitória!

Equipe Rodociclo


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