Bike Roteiro: Santa Maria do Herval.

Algumas coisas acontecem da forma mais imprevista e pela própria casualidade da sua natureza, tornam-se momentos inesquecíveis. Assim posso definir o meu roteiro improvisado deste final de semana, que gostaria de compartilhar com os nossos amigos e leitores. Há algum tempo ouço amigos falando de Santa Maria do Herval, um lugar tradicionalmente lindo pelo seu relevo montanhoso, que até alguns anos, não tinha roteiros de asfalto. Já passei muitas vezes pela Rota Romântica, mas nunca me interessei em desvendar os mistérios daquele caminho que na minha recordação, era uma subida muito íngreme de chão batido. Lembro até que há cerca de uns oito anos, dois amigos pedalaram por ali e comentaram das as rampas, muito fortes, se comparadas com a própria BR-116, que já apresenta um percurso bem acidentado. 



Com a chegada do progresso, a estrada, que pode ser usada como caminho alternativo para Gramado, recebeu asfalto em boa parte do seu percurso (faltam cerca de 10 km pelas informações que obtive). Este caminho também se torna além de mais belo, mais curto. Acredito que reduza cerca de 20 km em relação aos caminhos tradicionais. Mas as sinuosas curvas exigem muita atenção e cuidado! Há alguns dias, fui convidado por alguns amigos que andam de speed e têm usado a agora bem pavimentada VRS-873 (estreada de acesso a Santa Maria do Herval) para treinar. Esta também possui nomes curiosos, como "Caminho Morro do Pedro" e "Estrada do Mato Comprido". Fiquei curioso e resolvi, de última hora, subir ali sozinho, justamente para reconhecer o trajeto, que agora está com um asfalto impecável!



Vindo de um sábado atípico, fiquei até mais tarde na cama domingo pela manhã, e assim acebei perdendo os outros grupos que se encontram para pedalar. O jeito foi fazer o meu próprio roteiro. Voltando do inverno chuvoso e com pouca quilometragem rodada nas últimas semanas, seria um teste de resistência e o objetivo era chegar apenas até Morro Reuter, pois eu havia saído um pouco tarde, por volta de 08:30. O trajeto inicial foi tranquilo, sempre pela BR 116, que me levou até Morro Reuter (aproximadamente 70 km). Após passar o centro da cidade, vi o acesso e não resisti. Comecei a subir. Era a subida das subidas! O visual singular é impressionante. Vemos de cima Ivoti, Dois Irmão e até mesmo Morro Reuter, além da paisagem que se estende muito além pelo horizonte. O dia de sol e a temperatura amena contribuíram para que o tudo estivesse perfeito!



A relação 39 x 26 até deu conta, mas quase no topo dos 2 km iniciais, acabei empurrando por cerca de 50 metros, bem no final da primeira subida. Mesmo assim, a paisagem e o clima tornam o lugar encantador. Lojas de antiguidades se misturam a casarões do começo do século e em muitos trechos da estrada, a visão se estende dos dois lados, revelando paisagens rochosas e íngremes. Não se encontra muitos trechos planos e para maior conforto, recomenda-se que quem quiser passear por ali, faça uso de uma mountain bike (que possui relação de marchas própria para subidas) ou uma speed com relação compacta. Foram os 12 km mais duros que percorri nos últimos tempos!

Como gastronomia, destaca-se o Restaurante Paradiso (km 8), que além do ótimo atendimento, possui excelente cardápio e amplas instalações, sendo um lugar ideal para se passar o dia com amigos e familiares. Além disso, vários outros pontos da região merecem atenção. A rota pode ser usada para um "tranquilo" passeio na serra ou mesmo para a prática de MTB, já que existem muitos acessos de chão batido e, inclusive, pode-se ter acesso para Picada Café e Gramado e Nova Hartz. 



Após chegar ao centro da cidade, comecei meu retorno, já sentindo que havia abusado um pouco de mim mesmo nas subidas. O calor se fazia maior e exigia que eu administrasse meu ritmo, pois na volta também haviam algumas subidas bem fortes. As descidas também davam um certo receio, pois havia trechos bem sinuosos e a sensação constante era que os freios não segurariam. Após chegar à BR 116, que estava com movimento acima da média e congestionamento, percorri os últimos km apenas girando, sem forçar e encerrei em Novo Hamburgo meu roteiro, voltando de metrô, após cerca de 120 km, cansado de um lado, mas revigorado de outro.






Alguns dados interessantes sobre o equipamento, alimentação e hidratação: Durante o percurso, consumi BCAA Fito H que você encontra aqui na Rodociclo, Foram cerca de quatro caramanholas com 500 ml de água, um isotônico, dois sucos de 500 ml, uma água mineral, algumas laranjas, (adquiridas na tenda do Sr José, um simpático morador local, em destaque nas fotos acima, que vive em Santa Maria do Herval há "apenas" 50 anos), um pastel de queijo, uma fatia de bolo, duas barras de cereal  e um iogurte de 700 ml (chegando em Novo Hamburgo), tudo em intervalos regulares. A bike era uma Speed e usava relação tradicional com pedivela 52x39, cassete 11x26 dentes de 10 velocidades e pneus 700 x 23.

Saiba mais sobre este e outros roteiros em http://www.rotaromantica.com.br/

Um bom começo de semana aos nosso leitores, com muito pedal, já que estamos no horário de verão!
Aqui na Rodociclo a gente pedala de verdade!

Equipe Rodociclo.

Comentários