TOUR DE FRANCE 2014: NOS PAVÉS FRANCESES BRILHA A ESTRELA DE BOOM E FROOME DÁ ADEUS AO SONHO DO BICAMPEONATO.


Começamos a falar do Tour de France 2014 no sábado passado, quando falamos um pouco de alguns nomes favoritos a brilhar este ano. Também falamos sobre o grande confronto entre Froome e Contador, que deveria dividir opiniões e a torcida. Comentamos o favoritismo de Cavendish e outros nomes fortes do pelotão, que apostaram todas as fichas na maior prova de ciclismo do mundo. 


Mas a maior também é uma das mais difíceis, e nela, apenas completar já seria algo espetacular para qualquer mortal. No entanto, estamos falando de andar entre melhores e do sonho único de vencer. Nele, só há lugar para um ciclista. E se estamos falando de prováveis vencedores, diante de um improvável contexto que envolve natureza, vontade humana, preparo físico e psicológico e mesmo superação pessoal com uma boa dose de sorte, é quase impossível afirmar quem será, de fato o campeão de uma prova tão dura e com tantas adversidades.



Passadas cinco etapas, alguns eventos mudaram a vida de vários atletas deste Tour. Eventos que fogem a qualquer estatística ou previsão. Em meio a este turbulento céu de muitas estrelas, também veio a chuva e o piso molhado dos "pavé's" franceses, onde não só o melhor ciclista, o mais técnico, ou o que teve a melhor equipe logrou êxito. Foi preciso ter sorte e claro, estar preparado para abraçar a oportunidade.



No primeiro dia, a sorte esteve ao lado de Marcel Kittel, sprinter da Giant Shimano, que até hoje faturou três das cinco primeiras etapas. Neste dia, o mais que favorito Mark Cavendish sonhava com a vitória na cidade natal de sua mãe, mas não deu. Um erro (não foi falta de sorte) ao buscar posicionamento fez com que o britânico causasse uma queda polêmica. Erro que ele mesmo admitiu, ao desculpar-se com Simon Gerrans, que também foi ao chão graças ao seu ímpeto. Cavendish deslocou a clavícula e não alinhou para a segunda etapa, que seria a oportunidade para Vincenzo Nibali, atual Camisa Amarela, mostrar sua força. Nibali figura entre os nomes que não apenas sonham, mas têm reais condições de ir em busca do título. A vitória do campeão italiano veio após intensa luta que durou nada menos que 211 km. Peter Sagan até lutou para vencer a etapa, mas o ritmo forte imposto no trecho final favoreceu o italiano.



O terceiro dia foi mais uma etapa onde a velocidade predominou na chegada e sem a presença de Cavendish, Kittel faturou mais uma, com Sagan, que manteve a camisa verde (pontos) mais uma vez em segundo, a exemplo da primeira etapa. Kittel ainda venceria a quarta etapa, a primeira em solo francês, tendo Sagan mais uma vez muito perto. Neste dia foi anunciada a desistência de Andy Schleck e Froome sofreu uma queda, aparentemente sem gravidade.



Para hoje, a previsão se confirmou. Vento, frio e chuva tornaram ainda mais severas as condições dos ciclistas sobre os paralelepípedos franceses. E como se previa, foi uma etapa que mudou os rumos da competição e a trajetória de muitas estrelas. Lars Boom foi o melhor colocado no dia, pois soube aproveitar as condições para obter vantagem. Outro grande "vencedor" foi Nibali, que segue com a camisa de líder e graças ao terceiro lugar, aumentou sua vantagem sobre os demais favoritos, especialmente Contador (que perdeu tempo e está fora dos top 10), em um dia que lembrou as clássicas, como a Paris Roubaix.




E neste cenário de piso escorregadio e muitas quedas é que Chris Froome abandonou a prova após a segunda queda. O motivo seria uma lesão no pulso. O abandono do atleta pode ser visto como lastimável, uma vez que o desempenho da Sky, que nos últimos anos tem dominado o Tour era muito aguardado. Com Froome fora, fica a expectativa de quem será o ciclista que vestirá a camisa amarela em Paris. Nibali tem tudo para isso, pois no ano passado foi campeão do Giro D'Itália, outra grande e igualmente dura volta ciclística. No entanto, o desenrolar das próximas etapas deve revelar novas surpresas, mas esperamos que os ciclistas tenham a chance de mostrar sua bravura e seu talento, já que as circunstâncias não têm ajudado muito.

Equipe Rodociclo

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