PARA COMEÇAR BEM A SEMANA, PEDALE!


Se você está aqui lendo este texto, certamente, tem alguma coisa a ver com bike. Pedala de vez em quando, treina, compete, ou simplesmente é um daqueles apaixonados que gosta de estar por dentro do mundo das bikes. Você está vendo que estamos acompanhando a famosa Volta da Espanha, ou "Vuelta", como é chamada na sua terra. Hoje vamos narrá-la de outra forma. 


No segundo dia nas Astúrias, o polonês Przemyslaw Niemiec foi o vencedor. Ontém foi a vez de Ryder Hesjedal, que esteve envolvido na polêmica onde se acreditava que sua bike tinha motor. Logo ele, no dia seguinte, venceria a etapa... Será que tinha motor mesmo?... Contador segue defendendo sua liderança, seguido de perto (cada vez mais perto) por Valverde. Ontem Froome tentou, até que rendeu algum resultado, mas hoje não deu, perdeu tempo e parece que apenas dois nomes agora encabeçam a lista  real de favoritos. Mas tudo bem, ainda é cedo e muita coisa pode ainda acontecer. 


Lendas, mitos, verdades... Sabemos que um abismo nos separa destes ciclistas, capazes de esforços sobre humanos. Dopping? Quem sabe... Esperemos que não. Já foram muitas manchas ao nome do esporte e muitas carreiras destruídas. Já temos muitos pódios vazios, medalhas sem nome. Mas é fato que cada um deles nasceu com algo a mais, nasceram para estar entre os melhores e ali estão. E muita gente pergunta por que acompanhamos um esporte cuja realidade parece tão distante da nossa. O ciclismo é mesmo um esporte elitizado. Bom, aqui no nosso país mais ainda, já que se paga tanto imposto sobre a bicicleta e o esporte favorito é o futebol, bem mais popular e coletivo. Muitos sonham com a fama e a carreira milionária dos campos enquanto batem sua bola no quintal de casa. E nós? Bom, nós pedalamos! 


Muita gente treina. Aqui também temos nossos "super-ciclistas", que rodam, treinam, competem e o que é pior: não têm nem uma parte sequer do patrocínio e muito menos o reconhecimento de um Alberto Contador. Não são aplaudidos nas ruas, nem dão entrevistas. Não são polêmicos como Armstrong e nem geniais como Pantani. Correm anonimamente, montam equipes para ter carona, custeiam seus equipamentos, arriscam-se treinando de noite ou em estradas movimentadas de dia. Muitos têm trabalhos desgastantes, pesados, contas, compromissos, família e ainda assim, saem para rodar no fim do expediente. Outros, apenas usam a bike como meio de transporte. Mas "tá valendo". 


Muitos de nós sequer têm tempo para curtir nosso pedal, quem diria treinar. Mas ainda assim, as estrelas que hoje escreveram seu nome na história do esporte e sequer sabem da nossa existência são nossa referência. Queremos suas bikes, tentamos treinar como eles, usamos suas camisas, nos sentimos um pouco como eles quando estamos sobre a bike, curtindo os nossos 25 (?!?!?!?!) km/h de média. Tudo bem, faltou "pouco" para os 45 km/h deles, assim como sobraram alguns quilinhos a mais na balança. Mas o importante é que estamos ali. 


Hoje, antes de escrever este post, fui para o Bikemagazine ler o que havia acontecido ontem e hoje. O trabalho de sábado sempre é corrido. Hoje acordei tarde, tinha tarefas pessoais. No meio da tarde, depois de almoçar em casa, deixei a preguiça de lado e fui pedalar (já era tarde, passava das 15 horas). Na volta, mal alonguei, emendei uma janta, cinema (vai dizer, não e bom?) e aqui estou, em plena 01:18 de segunda me atualizando da Vuelta e escrevendo para você ler!


Mas eu estou feliz, começarei bem a semana porque pedalei. Foram 97 km, média de 23 km/h. Foi bom para a minha realidade. Até peguei umas subidas, para me sentir um pouco como Valverde, Froome ou Contador, mas estava de mountain bike, bem mais apropriada para os desvios urbanos aqui de Canoas, bem mais confortável e segura caso chovesse (o dia estava fechado e lá em cima chove mais que aqui). Um grupo Deore LX, antigo mas funcional, um quadro bem pesado de alumínio, um par de pneus meio gastos, mas que ainda rodam, um "mandolate Da Colônia" comprado em Ivoti (esqueci o gel energético). É assim a vida de muitos ciclistas anônimos. A multidão estava lá, ocupando as ruas diante do Parque de Exposições em Esteio. Mas não era para mim. Centenas de pessoas esperavam na fila para entrar no parque e eu passei despercebido por todos, pedalando entre os carros. Com a BR-116 cheia, sempre é preciso cautela, mas depois tudo ficou bem. Cheiro de mato, flores, primavera, subidas.. O vento ajudou na ida e na volta. Muitos passeando de carro e eu ali, de bike. 

Você não precisa sair de casa de madrugada, nem treinar como os profissionais, ter a bike que eles têm. Mas pode se permitir o conforto de uma bicicleta razoável e apropriada. Ela te fará sentir gosto pelo que faz. Não precisa ser profissional (aqui no nosso Brasil, quase ninguém é). Ciclistas profissionais são poucos. Estes, destinam suas folgas para treinar e competir, representar o esporte local, tão esquecido. Todos tem uma vida paralela. Ralam para sustentar família, alguns estudam à noite. Precisam contar com o a apoio das pessoas queridas, amigos e provavelmente terão mais tempo para pedalar depois dos 40. 

A segunda está aí, mas o mais importante é escolher um trajeto e tentar cumpri-lo. Uma pequena viagem, um passeio, um treininho, nem que seja de brincadeira, para esquecer os problemas, a corrupção, a violência e tudo que nos falta para ser um país de primeiro mundo, lá onde os profissionais correm em equipes de ponta. Onde os carros não são tão importantes... Só os de apoio. Então, decida seu roteiro e vá! O meu foi decidido na hora. Desenhe a sua etapa de hoje. Eu fiz a minha! Preferi o sossego da serra ao agito de um feriado movimentado. Se você prefere um passeio light, marque um chimarrão com seus amigos, pegue sua "magrela" e vá. Ou então algo como o pedalzinho bom de hoje pelas paisagens calmas de Ivoti. Eu recomendo!

Trajeto de ida e da volta - 97 km.

Amanhã (hoje) já é outro dia. Os homens do circuíto Pró-Tour vão brigar na terceira etapa consecutiva nas montanhas, tudo por uma camisa que para muitos, é a realização de uma vida. Nós vamos para o trabalho, para a escola, vamos seguir nossa vida normalmente, até podermos vestir nosso uniforme de "super-ciclista" de novo e nos sentirmos lá no mundo dos nossos ídolos. O que temos todos em comum? Pedalamos!

Boa semana aos nossos leitores!

EQUIPE RODOCICLO

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