SPEED CONFORTÁVEL? MITO OU REALIDADE



Nossa última postagem foi sobre a temporada de 2015 das provas de ciclismo aqui no Rio Grande do Sul. Para muitos, este assunto pode parecer um pouco fora da realidade, já que a maioria dos ciclistas que procura na bicicleta uma opção para atividade esportiva e lazer não tem o foco em competições e mesmo olha este mundo de uma forma um tanto distante. Para quem começa no esporte buscando o conforto e a versatilidade de uma MTB, a speed passa a imagem de desconforto e limitação, uma bike que é usada apenas por "ciclistas profissionais" que possuem alta performance. Mas não é bem assim. Ágeis, elas são as bikes ideais para quem quer ir mais longe com muito menos esforço e nem sempre precisam andar nos pavimentos mais perfeitos.



E mesmo que seu objetivo seja apenas praticar um esporte, a evolução dentro da sua prática é um caminho natural, que você desvendará à medida que ganha condicionamento e experiência. E mesmo que a sua intenção não seja ser um atleta de ponta, porque não dar uma apimentada no seu pedal, ir mais longe e até mesmo brincar em competições nas categorias amadoras, andando de speed? E ela não precisa ser dura e desconfortável, nem ter aquela posição "racing" que vemos os atletas do Tour de France usando. Basta você saber onde mexer para deixar ela bem ao seu gosto.



Aqui já tivemos inúmeros casos de ciclistas que começaram andando de bike a passeio e hoje participam de competições regionais de ciclismo e provas de longa distância, como Audax, onde se pedala a partir de 200 km em cada etapa, onde trocaram as suas MTB por speed, ou melhor, não trocaram, optaram pela speed como sua segunda bicicleta, deixando a MTB para pedais fora de estrada, uso urbano e mesmo casual a lazer, fazendo da estradeira a melhor companhia em trajetos mais longos.



Se você começou no esporte e sente que quer ir mais longe, seguem algumas dicas que, embora não dispensem a orientação de um profissional qualificado, como mencionamos em nossa matéria sobre Bike Fit, podem ajudá-lo a entrar no mundo das speed's sem sofrimento e sem gastos exorbitantes.



O primeiro passo é definir a sua bicicleta e a proposta a que ela se destina. Saber o tamanho certo do quadro e conhecer um pouco sobre geometria, materiais, grupos de componentes e suas variações é recomendável, assim como conhecer as principais marcas e os produtos que oferecem, pois algumas bikes já saem de fábrica prontas, sendo que produtos originais têm uma tendência a serem mais funcionais por serem desenvolvidos pensando em um conjunto de fatores e não em uma situação específica. Talvez você ainda tenha que ajustar algum detalhe, mas este será mais simples



Um segmento que vem crescendo cada vez mais e devido ao desenvolvimento de novas tecnologias, é o das bikes "endurance". Neste segmento, uma das mais tradicionais representantes, é a Specialized Roubaix. Seu quadro e geometria foram desenvolvidos para competições como a tradicional Paris Roubaix, onde foi várias vezes campeã. Lá, os melhores ciclistas da elite mundial competem por longos trechos de paralelepípedos, muitas vezes em meio à chuva e expostos a muitas intempéries. Tanto os materiais com que ela é construída, como a geometria são apropriados para absorver e dissipar as vibrações do terreno acidentado e propiciar mais conforto e desempenho. Os pneus são 700 x 25, mais largos que os tradicionais e ainda os modelos mais recentes são equipados com freios a disco.





Na faixa de R$ 4,5 a R$ 5,5, temos a Secteur, que embora tenha quadro em alumínio, é derivada da irmã mais velha, que já foi mais que estada e aprovada nas mãos de grandes ciclistas. Outra marca que dispõe de modelos interessantes é a Fuji, onde por cerca de 5,5 mil, a Sportif 1.1 oferece grupo de 10 velocidades, quadro que suporta pneus 700 x 25 ou mais e um grupo com relação compacta e cassete 11 x 30, para enfrentar qualquer subida com mais conforto e eficiência.



Vários modelos deste segmento oferecem quadros com furações especiais, que permitem instalação de bagageiro e isso as transforma em ótimas bicicletas de cicloturismo. Ainda há os que prefiram adaptá-las para o uso no ciclocross, com pneus mistos, capazes de enfrentar algumas estradas de chão leves. Um dos principais diferenciais está na geometria frontal, onde a frente mais alta permite que o ciclista pedale em uma posição mais ereta, com maior controle da bicicleta, além do uso de pneus mais largos, que permitem um maior controle e estabilidade. Um detalhe especial destas bikes está nos freios, normalmente com braços mais longos para alcance nos aros mesmo usando pneus maiores, já que os freios tradicionais são desenvolvidos bom base nos conceitos de aerodinâmica, onde a roda fica sempre muito próxima do quadro.





Agora, se você possui ou pretende adquirir uma bicicleta tradicional, voltada para o uso em ciclismo de estrada, esta não precisa ser ajustada em uma posição "racing", como os atletas "pro tour". Basta você promover alguns ajustes nela para que fique mais confortável e com uma geometria mais acertada. Deixar a espiga do garfo mais longa, com alguns espaçadores abaixo do seu avanço são uma boa opção. O uso de um selim mais confortável, com a adoção de um canote em fibra de carbono podem ajudar a dissipar vibrações da traseira da bike, mesmo efeito proporcionado pelos garfos em fibra de carbono na parte frontal. Se o quadro puder ser do mesmo material, melhor ainda, pois o carbono tem essa propriedade, de absorver vibrações e ao mesmo tempo que é rígido ser um quadro muito confortável.




O uso de outros componentes em fibra de carbono e com ajustes próprios pode tornar a sua vida mais confortável. Usar o avanço positivo ao invés de negativo, como é muito comum em bikes de competição torna a frente mais alta e confortável. Um guidão ergonômico e o uso de fita de guidão com gel podem tornar a pegada muito macia para suas mãos (ainda mais se você usa luvas com gel). A adoção de canotes retos e com micro-ajuste pode beneficiar o conforto e o desempenho, pois estudos afirmam que o canote reto permite ao ciclista maior transmissão de potência.



Usar uma boa bermuda e uma camisa de ciclismo também aumentam o conforto da pedalada, especialmente se o forro for de boa qualidade. A sapatilha, temida por muitos, permite uma pedalada mais redonda, um melhor aproveitamento da musculatura posterior das pernas e oferece mais segurança em cadências maiores e fora do selim. Assim, aceite a sapatilha como sua amiga, ela pode te ajudar muito se você superar o medo de cair. Uma boa sapatilha não precisa ser cara e nem rígida a ponto de ser desconfortável. Para fins recreativos, vários modelo foram desenvolvidos pensando na funcionalidade e conforto dos usuários.




Fora estes itens, outros "upgrades" podem deixar sua bike mais bela, leve, funcional e confortável. Um dos maiores upgrades em termos de desempenho são as rodas. A adoção de cubos com rolamentos selados e raios aerodinâmicos permite a você pedalar mais com o mesmo nível de esforço. E se você me disser "não vou competir", reflita sob a confortável ótica de andar o mesmo que andava antes com muito menos esforço. Isto também é conforto!





Para os aficionados, os pequenos detalhes, ajustes e modificações são um mundo de infinitas possibilidades, mas se você focar em uma proposta honesta com seus propósitos, pode desfrutar bons momentos com sua "magrela" sem gastar muito e sem ser um super atleta. Mas não esqueça de que você também precisa investir em você. Boa alimentação, qualidade de vida e quem sabe perder aqueles quilinhos que o incomodam. Pois, mas que fazer um upgrade na bike, você deve ver o que precisa de upgrade na sua vida. E se conforto e desempenho máximo não andam lado a lado nas provas de ciclismo, nós damos as dicas para que eles possam, pelo menos, conviver em paz na sua relação com a sua (nova ou antiga) bike.



Equipe Rodociclo. 

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