LONGA DURAÇÃO: VICINI VELA/COMPONENTES SHIMANO ULTEGRA 6600



Considerado um dos melhores grupos de ciclismo de estrada, o Shimano Ultegra integra algumas das melhores tecnologias da marca nipônica. Derivado do seu irmão Dura Ace, o Ultegra agrega leveza, precisão, confiabilidade e durabilidade por um preço bem abaixo do top de linha, indicado para competição.



Poucas gramas mais pesado que o Dura Ace, a atual serie (6800) vem mais leve que as anteriores, com 11 velocidades, manetes em fibra de carbono, cabeamento interno (já presente na série 6700 e no Shimano 105) e uma elevada gama de combinações de relações, com pedivela redesenhado a exemplo do Dura Ace, alem do ótimo acabamento, que o torna muito belo e atraente aos olhos. 

Fabricado através de series, cada uma incorporou ao longo do tempo avanços tecnológicos e design diferenciado, acompanhando a evolução do ciclismo. O  número de marchas aumentou e com a introdução de pedivela compacto, (50 x 34 dentes) e o número de combinações também ficou maior. A partir da série 6600, o Ultegra recebeu 10 velocidades, padrão ainda considerado moderno, apesar da introdução das 11 velocidades no ciclismo de estrada. Mas como nem tudo é conceito, escolhemos justamente essa serie, a 6600, para uma exposição prática, que será o tema desta postagem.



Por já estar há algum tempo no mercado e por representar um elo de ligação entre as séries mais antigas e atuais, tivemos tempo de testar a durabilidade dos componentes e o seu comportamento em diversas situações. Após cerca de 5 anos de uso e 15 mil km rodando, sendo que mais de 10 mil nos últimos 2 anos, podemos falar muito bem do Ultegra em todos os aspectos. Nas mãos do primeiro dono o grupo andou meros 600 km. Com seu segundo dono cerca de 3.500 km, ao longo de dois anos. Agora, montado sobre um quadro Vicini Vela, está com mais de 12 mil km.




Alguns detalhes merecem ser observados. A corrente e cassete originais foram substituídos por um conjunto PC/PG 1030 da Sram com configuração 11 x 26 dentes, muito funcional em subidas e com ótima velocidade final, embora apresente "buracos" pela ausência da engrenagem de 16 dentes. Mais leve que as pecas originais da época, com preço equivalente, foram a melhor opção para redução de peso sem afetar o conjunto. E podemos afirmar que funcionou muito bem e de forma muito precisa. A corrente foi trocada com 4 mil km por uma KMC X10, a mais básica, que já está na segunda peça, ou seja, usamos 3 correntes com o mesmo conjunto de engrenagens e cassete. Independente disso, a durabilidade do conjunto de cassete e corrente do grupo Ultegra pode e mesmo deve ser considerada igual ou até superior, dependendo é claro, da manutenção que for realizada. 

A atual corrente ainda roda seus 2 mil km e deve chegar a 17 mil km, exigindo a troca completa da relação. As engrenagens do pedivela apresentam pouco desgaste e devem chegar a 20 mil km ou mais sem problemas. O grupo todo recentemente recebeu manutenção completa. O movimento central original foi lubrificado com graxa da linha Shimano Dura Ace e poderia rodar mais antes da manutenção. A troca periódica de cabos e conduítes (cerca de 5 mil km), garante que o grupo funcione perfeitamente.



As alavancas apresentam perfeito funcionamento, sem folgas, e com a troca de marchas perfeita. Apenas o acabamento dos manetes começa a apresentar sinais de oxidação, tradicionais nestas linhas de peças cromadas. As séries mais recentes do grupo, com manetes em fibra de carbono deve resolver este problema. As trocas são rápidas e precisas, considerando que quanto mais marchas temos, mais fina será a corrente, que resultará em um sistema mais preciso, com menor espaçamento entre as engrenagens e toques consequentemente mais curtos. Com cabos em condições e conduítes de boa qualidade, as trocas são macias. A ergonomia é muito boa e montadas sobre um guidão com medida alcance correto, oferecem postura confortável na parte superior para apoiar as mãos e acesso perfeito na posição inferior do guidão ou em situações de sprint, com trocas rápidas. O guidão usado é um Deda RHM02, ergonômico, com fita de guidão Kuota, garantindo conforto em qualquer posição. Nas linhas posteriores, a ergonomia das alavancas Ultegra está melhor, encaixando perfeitamente nas mãos e transmitindo sensação de segurança e robustez, com peso ainda menor.

Os freios, mesmos sendo da linha 105 (5600) são potentes. Com os aros limpos e sapatas dentro do desgaste adequado, oferecem frenagem ágil e segura. Se pressionados no limite, respondem a contento, parando a bike com segurança e resposta rápida. Isto porque a ergonomia dos manetes forma um conjunto com o desenho dos freios, mostrando o esmero no funcionamento do conjunto. As trocas de refil periódicas garantem o perfeito funcionamento dos freios sem susto, e por usarem esse sistema, tornam a manutenção fácil e acessível, dispensando remover a sapata de freio e a posterior regulagem da posição. Como a reposição genuína da sapata Shimano nem sempre é fácil, usamos duas marcas: GTS e Baradine. Esta última mostrou-se melhor, pois mesmo sendo menos durável, apresenta um composto mais macio que oferece uma frenagem melhor.



Os câmbios estão em perfeito estado de funcionamento. Em nenhuma situação sofreram quedas ou impactos, de forma que apresentam-se em ótimo estado de conservação e sem folgas ou falta de tensão nas molas. Conforme o desgaste da relação, são necessários ajustes finos para compensar algum pequeno ruído, mas isso ocorre a cada 2 mil km, aproximadamente. O câmbio dianteiro já usa o sistema "braze on", que dispensa abraçadeira, já que os quadros modernos já trazem o suporte integrado ao quadro. No caso do Vicini, foi adotada uma braçadeira para a sua instalação.



O pedivela integrado (Hollowtech II) com engrenagens 52 x 39 dentes é robusto, leve e durável. O central é original e não apresenta folgas ou ruídos, oferecendo um giro suave e silencioso. A transmissão de potência é ótima, sem as torções que os sistemas antigos apresentavam, pois os rolamentos maiores, posicionados de forma mais afastada, na parte externa do quadro, aliados ao eixo de maior diâmetro, garantem a ótima relação de peso x rigidez. Embora o mercado ofereça os novos sistemas, como o  Pressfit, BB30, este sistema ainda mostra-se moderno e funcional, com manutenção muito fácil, que permite a extração do pedivela e lubrificação dos rolamentos com poucas ferramentas e de forma muito rápida. As engrenagens do pedivela são duráveis e o desgaste delas, mesmo após alta quilometragem, é baixo, demonstrando que podem rodar tranquilamente várias centenas de quilômetros.




O segredo da durabilidade e funcionamento está na manutenção e troca correta da corrente. Esta é a peça que mais roda e exige constante lubrificação para evitar o desgaste e oferecer trocas perfeitas. Foi usado sempre lubrificante da linha Finish Line, (tanto seco como a linha Cross Country) ou Muc Off (linha Dry Lube). A limpeza do conjunto nem sempre foi feita a contento, pois a bike também é usada em algumas situações cotidianas, como vir para o trabalho e treinos noturnos, acabando exposta a situações de intempérie. A adoção de "missing link" (emenda fácil de corrente) beneficia a manutenção, permitindo a remoção fácil da corrente para limpeza. Questionada por muitos que praticam MTB e alegam que pode abrir em situações de trepidação, na speed, não apresentou problemas, pois a tensão da corrente é maior em função do cage curto e da estabilidade do pavimento.

Já ouvimos relatos que as correntes KMC não funcionam bem e não duram. As duas testadas comportaram-se muito bem e são usadas por muitos fabricantes, como Specialized, que as usam em mix de componentes com marcas como Shimano e Sram. Ainda assim, dentro do conceito de "conjunto de componentes", acreditamos que a melhor opção para o perfeito funcionamento de qualquer grupo seja a utilização dos componentes originais recomendados pelo fabricante.

Não obstante, um conjunto de cassete e corrente Tiagra (série 4600) deve funcionar bem no seu Ultegra de 10 velocidades, mas certamente o peso, a durabilidade e a precisão não serão os mesmos. Estes três pontos justificam a diferença que você encontra entre os quatro principais grupos de estrada da marca, que teoricamente, devem cumprir a mesma função.



O cassete Sram, apesar de não ser da linha Shimano, mostrou ótimo comportamento. Criou-se uma cultura que as peças da marca seriam menos duráveis, mas isso acontece com muitos componentes, conforme vão se aproximando das linhas de competição ou são desenvolvidos com esta finalidade. O uso de menos materiais ou materiais mais nobres, como o alumínio e o titânio faz com que sejam menos duráveis que o aço, porém mais leves. No caso desta peça, a sua leveza se dá em função do desenho das engrenagens, que são vazadas e permitem que o cassete seja desmontado a partir da terceira engrenagem. O desgaste se apresenta de maneira uniforme e em nenhum momento prejudicou o funcionamento do conjunto, mesmo após a troca da corrente. Destaque para o desenho diferenciado de algumas engrenagens, que após montadas, dão a impressão que "falta um dente" em algum ponto. Atualmente, os cassetes da linha Ultegra mostram-se também muito belos, leves e resistentes, além de precisos, mesmo em situações de pressão que exigem trocas rápidas.



As rodas estão usando cubos da linha Choosen, com rolamentos e 32 furos. Extremamente leves, estes, também estão passando por um teste de longa duração. Estão com mais de 20 mil km, pois rodaram em outras duas bicicletas. Os rolamentos e eixos são os originais. Os rolamentos da roda dianteira apresentaram ruídos, mas receberam lubrificação com graxa Finish Line branca e voltaram a rodar silenciosamente. A manutenção do cubo traseiro é feita a cada 30 dias, com remoção da graxa, limpeza e nova lubrificação. São ágeis e respondem bem em todas as situações, contribuindo para uma melhor manutenção da velocidade e retomadas mais ágeis.

Os cubos da linha Ultegra, escassos no mercado, não possuem rolamentos. A marca Shimano não aprova o uso de rolamentos em seus cubos, preferindo as esferas. O motivo é que o rolamento, quando usado em rodas de bicicletas, fica sujeito a torções laterais, que prejudicam a durabilidade do mesmo. Ainda assim, os cubos Ultegra e Dura Ace apresentam rodagem suave, são leves e muito robustos. Atualmente, eles evoluíram para as rodas montadas da marca, que passam a integrar os grupos, assim entendidos como "sistemas de componentes".



Como um todo. a bicicleta mostra-se leve e funcional. Montada com peças escolhidas uma a uma, mostra uma geometria adequada para um piloto de 1,65 metros de altura. O quadro, com geometria slooping e traseira/garfo em fibra de carbono tem se comportado bem ao longo dos 10 mil km. O jogo de direção é Neco com Rolamentos. Não possui folgas ou a popular "casa" e foi lubrificado duas vezes no período. Os aros são os V-Zan Spin. Fabricados pela marca nacional, são os mais indicados para treinos, pelo bom custo benefício e rigidez. Um pouco pesados, comportam-se bem na estrada devido ao perfil alto, que contribui com a aerodinâmica. Raios em inox completam o conjunto, que chega aos 12 mil km com desgaste baixo, necessitando apenas um reaperto após a montagem. Os pneus são os CST, (GTK) que já foram alvo de postagem anterior.

A partir do exposto, acreditamos que esta avaliação pode ser útil aos nossos leitores. Não foi escrita para defender esta ou aquela marca e, de forma fidedigna, representa a cultura e o comportamento de muitos ciclistas ao montarem e customizarem suas bicicletas. Não se trata de uma bike top de linha, embora muito funcional, mas através dela, conseguimos expor uma impressão prática do uso de alguns componentes que hoje são muito usados mundialmente e que, ano após ano, evoluem e são aprimorados, sempre buscando a excelência. Como mencionado, cada fabricante possui seu mix de componentes, que formam cada grupo ou conjunto de peças. Recomendamos sempre seu uso de acordo com a especificação do fabricante, embora algumas combinações sejam possíveis, como foi o caso do cassete e corrente.



Sempre que possível, estaremos trazendo para você novas experiências e avaliações práticas. Como sempre, desejamos um bom final de semana e muitos e bons pedais aos nossos leitores.

Equipe Rodociclo.


Comentários

  1. Muito bom o texto, obrigado, pois estou querendo comprar uma bike com estas características. E já havia lido muito que o quadro vicini é ruim, mas agora parece ser mais questão de má sorte, do que outra coisa. Mais uma vez obrigado.

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